O presidente do PSD e recandidato ao cargo manifestou-se disponível para “conversar” com o PS sobre a viabilização do governo caso os socialistas vençam, mas também disse esperar o contrário se forem os sociais-democratas a ganhar.

Em entrevista à RTP3, na quarta-feira à noite, Rui Rio afirmou que, se vencer as diretas para a liderança do PSD e as legislativas, estará disponível para “negociar à esquerda e à direita” para a viabilização do seu governo, considerando que “é dificílimo” qualquer um dos partidos ter maioria absoluta.

Se nós ganharmos estou disponível para negociar à minha esquerda, leia-se PS, ou à minha direita, leia-se CDS e IL. Com CDS e IL, pode ser pela integração de membros desses partido no Governo, com o PS não é integração de membros do PS no Governo - isso seria Bloco Central e não vejo necessidade e até podia ser perigoso -, mas acho que deve haver negociação para conseguir-se governabilidade”, defendeu.

Questionado se, caso os socialistas vençam sem maioria, “o seu PSD” viabilizará um Governo do PS, Rio admitiu esse cenário, embora recusando qualquer possibilidade de integrar como vice-primeiro-ministro um executivo socialista.

O meu PSD está disponível para conversar com o PS, até porque senão o que acontece - não por culpa do PS, mas por culpa minha - é atirar com o PS para cima do PCP e do BE. Não percebo quem critica tanto o dr. António Costa ter-se encostado tanto ao PCP e ao BE, mas que diz que ‘comigo não conversa’”, afirmou, numa crítica ao seu opositor interno Paulo Rangel.

À pergunta se se deve voltar ao cenário pré-2015, em que o partido vencedor tem o benefício da dúvida, Rio considerou que “é o normal” que “humildemente” PS e PSD possam reconhecer mutuamente a vitória de um ou de outro.

Nós vamos a eleições, um ganha, outro perde, um fica em primeiro, outro em segundo. O que o país exige é que, no limite se não houver outra solução, não vamos ficar com um Governo de gestão seis meses à espera que a Assembleia possa voltar a ser dissolvida”, afirmou.

Rio considerou mesmo que “o pior cenário” que pode sair das legislativas de 30 de janeiro é que PS e PSD tenham uma posição “igual à de António Costa” na atual legislatura, que acusou de se ter colocado nas mãos de PCP e BE ao recusar falar com o PSD.

Se o dr. António Costa insistir em fazer isso e o PSD insistir em fazer isso também - e o meu adversário diz que é isso que faz - o país fica na ingovernabilidade”, advertiu.

Ainda em matéria de cenários de governação, Rio admitiu que, se o PSD ficar em segundo, mas consiga uma maioria parlamentar com CDS-PP e IL, se forme uma ‘geringonça’ à direita, excluindo o Chega.

Nesse caso, tinha a obrigação de tentar conseguir isso com CDS e IL, se concordei com o que se fez nos Açores, também teria de concordar”, disse.

Questionado se exclui o Chega por este ainda não se ter moderado - linha que tinha defendido no passado - , Rio defendeu que sempre retirou o partido liderado de André Ventura de uma coligação governativa pré ou pós-eleitoral.

Como o Chega diz que não há apoio do Chega se não houver ministros dele no Governo, o problema desapareceu”, afirmou.

Rangel “não está preparado” para ser primeiro-ministro

O presidente do PSD e recandidato ao cargo, Rui Rio, afirmou, nesta quarta-feira, que o seu opositor interno “não está preparado para ser primeiro-ministro”.

Rui Rio considerou também que “mal seria” se ele próprio não estivesse preparado para ser primeiro-ministro ao fim de quatro anos de liderança.

Não está, isto para mim é claro. Se me dissessem, quando entrei para o PSD em fevereiro [de 2018], que em maio ia disputar legislativas… eu não estava. Ainda por cima dois meses e com disputa interna”, afirmou em entrevista à RTP3.

Para o presidente dos sociais-democratas, aliás, "ninguém consegue estar preparado para ser primeiro-ministro dois meses depois” de eleições internas.

Rui Rio e Paulo Rangel vão disputar eleições diretas para a presidência do PSD a 27 de novembro.

/ JGR