Jorge Moreira da Silva, antigo ministro do Ambiente e atual diretor-geral de desenvolvimento e cooperação da OCDE, considera que a liderança do PSD ultrapassou uma linha que põe em causa os valores do partido aos olhos da população, ao fazer um acordo com Chega! para viabilizar um governo de direita na região autónoma dos Açores.

“Aos olhos da população houve uma linha vermelha que foi ultrapassada”, frisou o histórico militante do PSD, que insiste que a situação corre o risco de “um potencial contágio”, obrigando os sociais democratas a sentar-se à mesa com um partido “xenófobo, racista, intolerante, radical e que é populista” para outras eleições.

O antigo ministro sublinhou ainda que os princípios fundadores do PSD são incompatíveis com os “do candidato presidencial André Ventura” que continua a reiterar “medidas chocantes e grotescas”. Para Moreira da Silva, qualquer coligação ou qualquer acordo com o Chega!.    

“Nós não podemos permitir qualquer tipo de contaminação ou de contágio. Não há uma democracia à la carte ou princípios à la carte”, explicou.

Jorge Moreira da Silva aponta o dedo a Rui Rio e à liderança do partido, que acredita estar a “mudar de identidade”. O antigo ministro do Ambiente sublinhou ainda que os sociais democratas deveriam ter sido fieis à sua matriz de permitir que o partido que ganha as eleições forme governo.

“Sou da velha escola que considera que quem vence, governa. E, quando não vence, deve ser dado o benefício da dúvida a quem os eleitores consideraram o partido mais votado e, por isso, deve poder constituir governo”, revelou.

O engenheiro acredita ainda que negociar com o Chega! não só é errado do ponto de vista dos “princípios e valores” mas também do ponto de vista eleitoral, uma vez que o PSD perderá eleitores do centro para o Partido Socialista e a direita moderada para o Chega!.

Moreira da Silva afasta qualquer cenário de crise interna no PSD e garante que a situação pode ser facilmente resolvida pelo líder do partido, caso esclareça se há ou não coligações “pré ou pós-eleitorais” com o Chega.