O líder do PSD, Rui Rio, acusou esta segunda-feira o Governo de "leviandade e falta de sentido de responsabilidade" sobre a deslocalização do Infarmed para o Porto, processo que sintetizou como "uma confusão geral".

Está claro perante a opinião pública que há uma confusão geral e foi uma leviandade completa a forma como tudo foi anunciado. Foi uma leviandade, uma falta de sentido de responsabilidade, porque se lançou uma proposta que não estava estudada e minimamente preparada. Foi um fogacho", disse Rui Rio.

O presidente do PSD, que falava aos jornalistas na sede do partido de Vila Nova de Gaia, onde esta noite se vai reunir com militantes do distrito do Porto, acusou o Governo, liderado pelo socialista António Costa, de "gerar uma confusão geral" e avançou que o grupo parlamentar social-democrata vai pronunciar-se esta semana sobre este dossiê.

Pelas notícias percebemos que foi uma confusão geral. Andamos para a frente e para trás e, mesmo assim, agora não sei se é para trás totalmente, porque dizem que vai para a comissão para ser analisado. É uma confusão", insistiu Rui Rio.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse na sexta-feira que a decisão de suspender para já a deslocalização do Infarmed ­­- Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde de Lisboa para o Porto "é coerente" com o que Governo tem afirmado e foi tomada tendo em conta a vontade dos trabalhadores da instituição.

Esta segunda-feira à tarde, em conferência de imprensa, o presidente da câmara do Porto, o independente, Rui Moreira, acusou o Governo de "sucumbir àquilo que é a máquina do Estado" e afirmou que o Infarmed vai continuar ‘forever and ever' em Lisboa.

As explicações estão dadas. O ministro aquilo que disse é que houve uma alteração da política e que vai atirar para uma comissão que, no dia de são nunca à tarde, na semana dos nove dias, é capaz de decidir que o Infarmed vem para o Porto. E, nesse dia, criam uma outra comissão para ver se alguma comissão diz que é mau o Infarmed vir para o Porto", afirmou Rui Moreira, acrescentando que não teve contactos do Governo para discutir este processo.

Liderança sem comentários

O presidente do PSD, Rui Rio, escusou-se, contudo, a comentar a criação de movimentos que têm como objetivo substituí-lo na liderança do partido, garantindo que "vai continuar a explicar como pretende ganhar as eleições em 2019".

No sábado, foi tornado público que André Ventura, vereador do PSD em Loures, decidiu lançar o movimento “Chega”, para substituir Rui Rio na liderança social-democrata e colocar o partido no "espetro ideológico do centro-direita português".

Esta noite, antes de participar num encontro com militantes do distrito do Porto que está a decorrer em Vila Nova de Gaia à porta fechada, questionado sobre se sente o partido dividido e se o preocupa o movimento criado por André Ventura, Rui Rio respondeu: "Não vou comentar esse movimento. Já há outro e se calhar existirão outros. Esse é o ‘x' e pode haver o ‘a', o ‘b' e o ‘c'. Não vou comentar nenhum assunto desses".

O líder do PSD explicou que está a começar no Porto uma série de reuniões com as assembleias distritais do PSD, tendo a expectativa de conseguir percorrer as 19 estruturas do continente "até janeiro".

É uma forma de falar e de ouvir os militantes e dos militantes ouvirem-me a mim. E é uma forma de explicar o que estamos a fazer e qual a estratégia que temos para ganhar as eleições de 2019", disse o presidente do PSD.