Depois de uma longa espera, Rui Rio falou ao país e assumiu a derrota, revelando que já ligou a António Costa a dar-lhe os parabéns pela vitória nas eleições legislativas.

"Não há desastre. Não há desastre nenhum para o PSD", afirmou.

Numa declaração de cerca de 20 minutos, o líder derrotado teve tempo para atacar tudo e todos: da comunicação social às sondagens, passando pelas questões internas e externas, Rui Rio chegou para todos. E conseguiu aplausos e muitos barulho na sala, o que contrastou largamente com o silêncio sepulcral que se viveu assim que as projeções dos vários canais de informação surgiram nas televisões instaladas na sala em que o PSD se instalou para acompanhar as eleições legislativas.

Os dados, que davam conta da derrota para o PSD, caíram como uma pedra num chão de mármore e nada se ouviu nos primeiros minutos. Depois, a análise. 

"O CDS desceu... olha a percentagem do PAN", ouvia-se em surdina antes de voltar a reinar o silêncio. 

Mas voltemos a Rui Rio, que demorou mais de três horas e meia a descer da suíte presidencial onde se instalou para assistir aos resultados da noite eleitoral acompanhado pela mulher, pela filha e pela comissão política.

Em passo apressado, e sem olhar para trás, Rui Rio subiu ao palanque por entre gritos de aclamação. As primeiras palavras foram, claro, para quem esteve sempre a seu lado, antes de passar ao ataque.

“Por razões internas e externas, o PSD disputou estas eleições num enquadramento muito difícil", começou por dizer Rui Rio, para depois explicar que a saída de militantes do partido para formar partidos e os ataques internos ajudaram que o resultado não fosse tão bom como pretendia, até porque os votos nos pequenos partidos “representam uma perda na ordem dos 2%” para o PSD.

Perda essa que acabou por ajudar à vitória do PS nas legislativas sem maioria absoluta e que faz com que o PSD espere pelas audiências em Belém e pela reunião dos órgãos do partido antes de se pronunciar.

"O Partido Socialista ganhou as eleições, tem agora de ter a iniciativa sobre aquilo que quer fazer. E, acima de tudo, aquilo que é importante é que eu não sei, nem nenhum de nós sabe exatamente o que o PS quer fazer", afirmou.

Rui Rio lembrou ainda que se trata de uma questão do "interesse nacional" e que por isso é preciso "aguardar a composição final da Assembleia da República".

"O senhor Presidente da República irá seguramente chamar os partidos e nós lá iremos. Em função daquilo que o PS quiser fazer, nós vamos analisar a envolvente política, sempre num ato de coerência com o nosso próprio programa e com tudo aquilo que dissemos", precisou.

"Responsável para o bem e para o mal"

Já quando o tema foram as razões externas, o líder do PSD não foi parco em palavras para atacar os "comentadores com agenda política" que provocaram "uma instabilidade de uma dimensão nunca vista", e as sondagens que profetizavam que o partido não iria conseguir atingir os objetivos a que se tinham proposto. 

"Apesar desse enquadramento difícil cumprimos a nossa obrigação. Nunca fugimos a nenhum debate. (…) Nunca baixámos o nível como alguns dos nossos adversários acabaram por o fazer", afirmou, garantindo ainda que "para o bem e para o mal", é o responsável.

E responsável que é responsável assume as vitórias e as derrotas, mesmo que para isso tenha de fazer comparações com as eleições legislativas de 2015 em que o PSD concorreu coligado com a CDS (Portugal à Frente) e, apesar de ter vencido as eleições não conseguiu formar governo. 

"O PSD é a única alternativa para governar Portugal. O PSD basicamente repetiu o resultado de 2015, se considerarmos que o CDS valia 8% (dos votos, na altura). (...) Se o PS se excedeu na exuberância dos festejos logo a seguir às oito da noite, a vitória não foi assim tão grande e também foram manifestamente exagerados alguns desejos e profecias sobre a hecatombe do PS. Não foi assim tão grande. Falharam", atirou.

Mas, nas palavras de Rui Rio, não foram só os que profetizaram - "e até desejavam” - a queda do PSD nas eleições que falharam. O partido também falhou, mas tem saldo positivo, apesar de tudo.

"Se o PSD atingiu o seu principal objetivo? Não atingiu. Mas se formos analisar as circunstâncias... este resultado é positivo!", garante.

E por ser positivo e por a "política se fazer com calma", e não a "correr para o online", como fez questão de frisar no discurso, Rui Rio não conteve o riso quando questionado se vai abandonar a liderança no partido, dado que saiu derrotado das eleições, e respondeu que vai ponderar.

“Essa pergunta que me está a fazer vai merecer serenidade e ponderação e ouvir as pessoas. Espero que não faça agora uma crónica muito grande sobre o tabu de Rui Rio, que não disse hoje se continua ou não. O Rui Rio pondera, não há tabus só porque não responde ali ao fim de um minuto ou dois. Calma, Calma”, afirmou.

Já sobre se vai assumir a sua posição como deputado, o líder do PSD elaborou na resposta para no final afirmar sem qualquer dúvida que "sim, sim" vai "assumir" o seu lugar.

Com todas as freguesias apuradas (faltam apenas apurar os votos dos 32 consulados), o PSD conseguiu 27,90% dos votos, elegendo assim 77 deputados.