Não vai "andar a animar a comunicação social". A garantia é do líder do PSD, Rui Rio, referindo-se às questões internas do partido. Prefere, antes, criticar a "carga fiscal brutal" que diz existir em Portugal com o atual Governo.

Sou obrigado a vir trazer as coisas do partido à praça pública por aquela razão, agora não contem comigo para andar a animar a comunicação social esta semana com coisas internas".

Em Vila Nova de Famalicão, de visita à empresa Rio Pele, Rio recusou ainda responder sobre a forma de votação da moção de confiança que decidiu submeter a Conselho Nacional extraordinário, se de braço no ar ou por voto secreto. Entretanto, soube-se que o dito Conselho Nacional vai realizar-se na quinta-feira, daqui a três dias.

O líder do PSD só vai responder às acusações feitas por Montenegro no Conselho Nacional extraordinário marcado para quinta-feira, no Porto. Hoje, este social-democrata acusou o atual líder de ter "medo" e falta de coragem para convocar eleições diretas.  

Recorde-se que foi na última sexta-feira que Rio foi desafiado pelo ex-líder parlamentar para convocar eleições diretas antecipadas. Porém, rejeitou, optando por submeter a direção a um voto de confiança do Conselho Nacional.

Hoje, Mota Amaral, apoiante desde a primeira hora da liderança de Rui Rio, considerou “muito corajosa a atitude de enfrentar a contestação” no âmbito do Conselho Nacional e defendeu que "é fundamental respeitar os mandatos".

Já o líder do PSD-Lisboa, Pedro Pinto, contestou a marcação do Conselho Nacional para meio da tarde de um dia de semana - "de bradar aos céus" - pedindo ao mesmo tempo, ao presidente deste órgão, que clarifique que a moção de confiança “será sujeita a voto secreto”.

O presidente do Conselho Nacional do PSD disse, entretanto, haverá amplo espaço para debate na reunião de quinta-feira, mas só se pronuncia na própria reunião sobre a forma de votação da moção de confiança à direção.

Por sua vez, o líder do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, recusou comentar a situação interna no partido a nível nacional, preferindo destacar que "todos os compromissos e entendimentos" estabelecidos com o presidente Rui Rio foram "integralmente cumpridos". Neste momento ele [Rui Rio] é o líder e vai estar aqui no congresso e eu como presidente regional [do partido] não me meto em polémicas dessas".

Rio foge ao tema

No início de uma semana dedicada às empresas, e acompanhado pelo líder da distrital de Braga, José Manuel Fernandes, e pelo autarca famalicense, Paulo Cunha, além de outros membros do Conselho Nacional do PSD, Rio optou hoje por centrar o discurso numa critica ao atual Governo e à "gestão da carga fiscal" que está a ser feita.

Em Portugal obviamente que temos uma carga fiscal brutal, com este Governo nós atingimos um recorde de carga fiscal. Subir é muito fácil, descer é muito difícil. Temos que ter como objetivo descer a carga fiscal, mas antes desse objetivo temos que ser capazes de gerir bem a carga fiscal".

Para o líder social-democrata a "gestão da carga fiscal deve privilegiar as empresas do ponto de vista do investimento e tudo o que possa ser feito em sede de política fiscal para ajudar à capitalização e o investimento é decisivo".

Questionado ainda sobre as declarações da ministra da Saúde, esta manhã, à Antena 1, dando conta de que as cirurgias adiadas devido à greve dos enfermeiros podem ser repostas todas dentro do Sistema Nacional de Saúde, Rio mostrou-se cético.

"Eu tenderia a dizer que não, mas espero estar eu enganado e ter a senhora ministra razão. O que eu sempre ouvi da parte de quem gere os hospitais é que era impossível fazer uma recuperação dessa ordem de grandeza", disse, aproveitando para deixar outra crítica ao Governo de António Costa: "Mas também estamos habituados, muitas vezes, ao Governo prometer determinadas coisas e depois não cumpre. Eu parece-me muito difícil".