O presidente do PSD advertiu esta quinta-feira que a partir de junho Portugal tem de preparar-se para uma eventual "segunda onda" da pandemia de Covid-19 no Inverno e manifestou-se de acordo com a estratégia de desconfinamento.

Estas posições foram transmitidas por Rui Rio no final da audiência com o primeiro-ministro, António Costa, em São Bento, encontro que durou cerca de hora e meia.

Perante os jornalistas, o líder social-democrata assumiu que as decisões que envolvem a reabertura das creches e das praias "são difíceis", mas, em geral, o PSD concorda com a estratégia seguida pelo Governo.

Não é fácil fazer diferente", frisou.

Rui Rio destacou depois aquilo que deverá acontecer a partir de junho, "quando há uma probabilidade de haver uma segunda onda da pandemia no Inverno, no fim do ano".

Se isso acontecer, não podemos encerrar a sociedade e a economia da mesma forma como foi encerrada em março e abril, porque a economia, pura e simplesmente, não aguenta. Por isso, no mês de junho, temos de aprender como fazer no caso de termos uma segunda onda, em que temos de fechar alguma coisa, mas não podemos fechar tudo", salientou o líder social-democrata.

Ou seja, para Rui Rio o país "deve aprender a lidar com a situação", embora se deseje que essa segunda vaga não venha a ocorrer no final do ano.

Mas, se acontecer, temos de ter capacidade de resposta", acrescentou.

Rio elegante em São Bento

O presidente do PSD assumiu esta quinta-feira divergências com o primeiro-ministro face à forma como está a gerir a sua relação com o ministro das Finanças, mas considerou que seria "deselegante" comentar esse caso em São Bento.

Questionado sobre o facto de António Costa ter reafirmado na quarta-feira à noite a sua confiança política e pessoal no seu ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, na sequência da polémica em torno da transferência de 850 milhões de euros do Estado destinados ao Novo Banco, o líder social-democrata recusou-se a comentar o caso após ser recebido pelo líder do executivo.

Se forem ver a hora da última coisa que escrevi no Twitter, por volta das 13:00, isso mostra que tive a preocupação de dizer qualquer coisa antes de vir aqui, porque já sabia que os jornalistas me iam fazer essa pergunta, e também já sabia que, estando aqui para tratar de outros assuntos e em casa do Governo (digamos assim), seria completamente deselegante estar a comentar uma matéria em que há divergências", justificou o presidente do PSD.

Nessa nota que deixou na rede social Twiiter ao início da tarde, o presidente do PSD criticou António Costa por manter Mário Centeno no Governo "ainda que sem condições", e considerou que esse episódio "demonstra que a força do ministro das Finanças é superior à do primeiro-ministro".

Perante a insistência dos jornalistas, Rui Rio admitiu que "poderá desenvolver" mais tarde aquilo que escreveu no Twitter sobre este caso entre António Costa e Mário Centeno.

Mas aqui não, porque fazê-lo aqui não seria educado, não seria bonito ou elegante. Na conversa com o primeiro-ministro, não abordámos esse assunto", reforçou.

Interrogado sobre as razões políticas que levaram o PSD a criticar o primeiro-ministro neste caso relativo ao Novo Banco, Rui Rio assegurou que o seu partido "vai continuar a ter uma postura de cooperação com o Governo relativamente ao combate à pandemia" de Covid-19.

Acontece que, durante os últimos dois meses, a política nacional restringiu-se só à questão da pandemia. Porém, nos últimos dias, como é normal acontecer na vida, começaram a aparecer outras matérias - e em outras matérias a postura não é a mesma, a postura é de oposição. Assim continuará a ser", acrescentou.

/ AG-Atualizada às 17:57