Rui Rio acusou o Governo de António Costa de ter introduzido a maior carga fiscal de sempre. A posição do social-democrata foi assinalada esta segunda-feira no muito aguardado frente a frente entre os dois líderes partidários.

Com o PS tivemos nestes quatro anos a maior carga fiscal de sempre. Nunca os portugueses pagaram tantos impostos”, sublinhou o líder do PSD.

O presidente do PSD destacou que o “aumento de impostos indiretos foi de 1,2%”. "O IMI, O ISP, a derrama, tudo somado dá 1,2%", enumerou Rio. 

A receita fiscal criou muito mais do que o produto”, acrescentou.

Por isso, Rio disse que no programa eleitoral do PSD há uma margem 15 mil milhões de euros dos quais 25% estão reservados para a redução de impostos. 

Nós vamos ter cerca de 15 mil milhões de euros e desses 25% é para reduzir impostos, 25% é para aumentar investimento público e 50% para despesa corrente", reiretou Rio.

Na resposta, António Costa disse que "nesta legislatura houve uma justa redução fiscal".

Em vez de fazer uma redução geral do IRC, concentrámos essa redução nas empresas que se estão a modernizar, a investir, a investir no interior", exemplificou. 

O líder socialista foi mais longe, afirmando que "o que Rui Rio propõe é um choque fiscal que acaba sempre com um enorme aumento de impostos", lembrando a expressão que o ministro das Finanças Vítor Gaspar, do Governo PSD/CDS, usou durante o programa da Troika. 

Quer benefícios fiscais para os combustíveis?", questionou Costa, depois de Rio ter falado no ISP.

"Emigraram 330 mil pessoas em quatro anos. Qual é o contentamento destas pessoas?"

Rio começou o debate afirmando que esta legislatura foi "uma oportunidade perdida" porque teve uma "conjetura altamente favorável", mas "não serviu para tratar do futuro".

O Orçamento do Estado continua a ter défice estrutural. (...) Temos um aumento da dívida pública, uma degradação enorme dos serviços públicos", sublinhou.

Costa reiterou que, com o seu Governo, "pela primeira vez neste século conseguimos crescer acima da média europeia".

Mas Rio contrapôs, sublinhando que "só há dois países a crescer abaixo da média europeia, Alemanha e Itália" e que "Portugal é dos países que menos cresce na UE".

O rendimento per capita foi caindo e neste momento é o terceiro pior da zona euro", acrescentou.

Mais, o presidente do PSD afirmou, citando o Relatório da Emigração, que nos últimos quatro anos 330 mil pessoas abandonaram o país. 

Se o crescimento económico fosse fantástico as pessoas não se iam embora, as pessoas deixariam de emigrar. Quantas pessoas emigraram nestes quatro anos? 330 mil pessoas. São os municípios do Porto e de Viana do Castelo juntos, são 330 mil pessoas? Qual é o contentamento destas pessoas?"

 Na resposta, o secretário-geral do PS limitou-se a dizer que "os números oficiais que conheço é que o saldo migratório até 2017 passou a ser positivo". 

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Sofia Santana / atualizada às 22:29