O presidente do PSD reagiu este sábado à rejeição da proposta para a marcação das eleições diretas do PSD para 20 de novembro. O Conselho Nacional rejeitou a data proposta por Rui Rio, aprovando ao invés o dia 27 de novembro para as internas, conforme a proposta de Paulo Rangel.

Em reação após as votações, Rui Rio lamentou que se percam dois meses de luta interna, enquanto o PS vai estar concentrado em esforços para as eleições legislativas de 30 de janeiro.

Fiz tudo o que estava ao meu alcance para que o PSD tenha um bom resultado e ganhe as eleições ao PS a 30 de janeiro, procurei que não houvesse eleições internas antes das legislativas”, afirmou Rui Rio, em declarações aos jornalistas, no final do Conselho Nacional do PSD que durou oito horas.

Sobre as eleições diretas, agora antecipadas, o presidente social-democrata lembra que o seu mandato terminava apenas em fevereiro: "Nunca tive medo de ir a eleições".

Com a aprovação da proposta de Paulo Rangel, o Conselho Nacional estabelece assim que apenas estão elegíveis para votar a 27 de novembro os militantes cujas quotas estejam em dia, outra proposta contrária ao pretendido por Rui Rio. Questionado sobre essa situação, o presidente do PSD foi taxativo: "Os apoiantes do doutor Rangel tiveram medo que o caderno eleitoral fossem os militantes todos".

À pergunta se, apesar de ter visto derrotada a sua proposta de calendário das diretas e de alargamento do universo eleitoral, mantinha a sua recandidatura à presidência do PSD, Rio respondeu: “Com certeza”.

Questionado como irá fazer a campanha, Rio assegurou que procurará “minorar o prejuízo” de ter “uma frente de batalha interna em que se dispara uns contra os outros, em vez de contra os adversários”.

É muito diferente de fazer livremente a campanha. Vamos ver o que dizem os militantes em termos de resultado final”, afirmou.

Questionado se esta “guerra” seria assim tão diferente se o Conselho Nacional tivesse aprovado diretas em 20 de novembro, como propôs, em vez de 27, Rio considerou que haverá “uma diferença muito grande” no ambiente no partido até às diretas e, depois, das diretas ao Congresso.

“Até lá, está-se no auge da disputa eleitoral, a partir do momento em que sabe quem é o presidente eleito não é a mesma coisa”, referiu.

O Conselho Nacional no PSD aprovou no sábado a marcação de eleições diretas para escolher o próximo presidente do partido para 27 de novembro e o Congresso para os dias 17, 18 e 19 de dezembro.

António Guimarães