O líder do PSD apelou segunda-feira ao Governo para que, em nome do interesse nacional, retome as negociações com os bombeiros, considerando que o executivo cometeu um erro ao aprovar uma reforma que tem a oposição daqueles.

Eu acho que o Governo cometeu, naturalmente, um erro que é não ter dialogado com os bombeiros, não ter ouvido suficientemente a Associação Nacional de Municípios Portugueses. Todos estão contra a reforma que o Governo pretende fazer", afirmou Rui Rio.

Sem fazer considerações sobre quem tem ou não razão, o social-democrata defendeu que a reforma da Proteção Civil não pode ser feita contra os bombeiros, mas com eles.

O apelo que eu faço é que o ministro e, particularmente, o Governo, se sente à mesa com os bombeiros e com calma ponham o interesse nacional e a segurança das populações em cima de tudo e dialoguem para encontrar uma solução", declarou.

O presidente do PSD não tem dúvidas de que a solução encontrada pelo Governo, liderado pelo socialista António Costa, e que já foi aprovada em Conselho de Ministros, "vai ser, aparentemente, muito difícil de levar acabo" pelo que, espera, que "da parte do Governo haja o bom sendo de ouvir os bombeiros e que os bombeiros tenham a devida calma para o ouvir o Governo".

É a única via sensata”, defendeu, disse.

Questionado sobre se se subscrevia as declarações de social-democrata Duarte Marques que acusou, hoje, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, de "arrogância política", Rui Rio, sublinhou que como líder da oposição não lhe compete estar a acicatar os ânimos, pretendendo, apenas, ver o problema resolvido.

"Prejuízo aos doentes"

O presidente do PSD defendeu ainda ser preciso encontrar um equilíbrio entre a defesa "legítima" dos interesses dos enfermeiros e o "prejuízo que se pode causar aos doentes", assinalando que há ausência de paz social no país.

Eu entendo que todos os profissionais por mais razão que tenham - e os enfermeiros têm muita razão - aquilo que nós temos é sempre de ponderar entre a defesa legítima dos interesses, neste caso dos enfermeiros, e aquilo que depois é prejuízo que se pode causar aos doentes, que são quem não tem culpa nenhuma", declarou Rui Rio, no Porto.

Para o líder do maior partido da oposição, a carreira dos enfermeiros merece ser estruturada e respeitada, mas também aqui, pediu, é preciso "algum equilíbrio".

Infelizmente podia perguntar-me dos estivadores, dos oficiais de justiça, dos técnicos de diagnóstico, dos médicos, dos professores. Aquilo que nós assistimos em Portugal é uma ausência de paz social que é completamente contrária àquilo que o Governo tem dito", defendeu.

Para o presidente do PSD, o Governo "não investiu nada, só distribuiu”, mas fê-lo "sem critério".

O que tinha, distribuiu segundo a lista de reivindicações do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. Era suposto que, estando a distribuir desta maneira, tivessem todos contentes e que o descontentamento viesse apenas lá à frente quando se notasse a falta de investimento. Pois bem, isto é muito mau para o Governo", sublinhou, acrescentando não se recordar de um período de tantas greves ao mesmo tempo.

Rio rejeita Tancos

Por outro lado, o presidente do PSD afirmou que não vai aceitar o desafio do PCP e autopropor-se para depor na comissão de inquérito parlamentar sobre o furto de material militar dos paióis de Tancos.

Não, porque o meu estilo, como já toda a gente percebeu, não é entrar em ‘fait divers'. Já percebemos todos algumas coisas más que aconteceram, mas não percebemos tudo e, portanto, convém que a comissão de Tancos trabalhe à margem das habilidades partidárias para criar aqui uma notícia ou outra", declarou Rui Rio.

O social-democrata, que falava à entrada do 23.º jantar de aniversário do Clube Via Norte, no Porto, reiterou que já tinha explicado publicamente que o que "sabia era juntar as pontas que todos poderiam ter sabido, aqui e acolá, para tirar conclusões que depois se vieram a verificar".

Sem ter provas em concreto eu não podia afirmar na altura”, referiu o presidente do PSD.

O desafio a Rui Rio foi feito pelo deputado comunista Jorge Machado, no dia 05 de dezembro, quando apresentou a lista de personalidades que o PCP sugeriu que fossem ouvidas, na qual, ainda assim, não estava o nome do líder social-democrata.

Jorge Machado sugeriu que Rio deveria autopropor-se para ir à comissão depois de ter feito, no último verão, várias declarações nas quais disse que, sobre o furto de Tancos, não dizia tudo o que sabia, ou que, quando se deram as detenções relativas ao processo do reaparecimento do material furtado, "já estava à espera" que acontecessem.

A comissão parlamentar de inquérito ao furto de material militar dos paióis de Tancos vai ouvir 63 personalidades e entidades, incluindo o depoimento, por escrito, do primeiro-ministro, António Costa.