O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou esta quinta-feira que a direção pretendeu colocar “um ponto final” na polémica com o Conselho de Jurisdição Nacional (CJN), que classificou como “um episódio para esquecer”.

No final de uma visita à 55.ª Capital do Móvel - exposição de mobiliário de Paços de Ferreira patente no Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa -, Rio foi questionado sobre o tema, mas remeteu para o comunicado emitido na quarta-feira pela Comissão Política Nacional, no qual se acusa o CJN de prejudicar o partido num momento de “foco” nas autárquicas, com uma “perturbação estéril e desnecessária”.

“Da parte da direção, com este comunicado pretende-se pôr um ponto final no assunto, só não é um ponto final se alguém levantar o assunto para evitar que seja um ponto final”, disse.

Questionado se a direção pretende levar o tema ao Conselho Nacional de dia 04 de junho, Rio respondeu negativamente.

“O nosso objetivo no Conselho Nacional é discutir os problemas do país na ótica do PSD e, em particular, as eleições autárquicas de setembro/outubro. Espero que as pessoas vão lá falar sobre isto, este episodio é um episódio preferencialmente até para esquecer”, disse.

O CJN considerou que quer o presidente do partido, Rui Rio, quer o líder parlamentar, Adão Silva, violaram os estatutos do partido por não terem dado seguimento a uma moção setorial aprovada em Congresso que pedia um referendo sobre a eutanásia.

“PSD para ser poder não tem de se deslocar nem para direita nem para a esquerda”

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu hoje que o partido, “para ser poder, não tem de se deslocar nem para a direita, nem para a esquerda”, mas ter “abertura suficiente” para liderar um movimento mais amplo.

No final de uma visita à 55ª Capital do Móvel - exposição de mobiliário de Paços de Ferreira patente no Pavilhão Carlos Lopes, no Parque Eduardo VII, em Lisboa -, Rio foi questionado se achava que, como foi dito na convenção do Movimento Europa e Liberdade (MEL), a direita precisava de se sentar num divã.

“Não sinto que nem a direita nem a esquerda se tenham de sentar num divã, de qualquer forma quer a direita quer a esquerda dizem-me pouco, porque eu sou ao centro”, disse, reafirmando o posicionamento que expressou na quarta-feira à noite, no encerramento da convenção do MEL.

Para Rio, “o PSD não precisa de fazer nenhuma deriva nem à direita nem à esquerda para governar”.

“Tem de estar no seu posicionamento e capaz de poder liderar um movimento mais alargado que o possa levar ao poder”, disse, admitindo que as maiorias absolutas são cada vez mais difíceis quer para PSD quer para PS.

Questionado sobre as várias críticas que lhe foram dirigidas pelos líderes do CDS-PP, Chega e IL sobre o seu posicionamento, Rio não quis comentar diretamente.

“Isso não é nada comigo, eu não fui ao congresso das direitas, fui a uma conferência dizer o que entendia serem as principais linhas de rumo para o país, na economia e na política. Os outros foram lá dizer outas coisas, se calhar sentiram-se no congresso das direitas e vieram dizer aquilo…”, disse.

Sobre se as pontes ficaram mais fáceis ou mais difíceis após esta convenção do MEL, Rio respondeu: “Se fosse para lá criticar os outros, as pontes eram mais difíceis. Cada um faz o que entende”.

Questionado sobre a presença, durante os dois dias da iniciativa, do seu antecessor Pedro Passos Coelho, que assistiu na primeira fila ao seu discurso, Rio diz ter gostado “imenso” de rever o antigo primeiro-ministro.

“Já não estava com o dr. Passos Coelho há muito tempo, conhecemo-nos desde os meus 20 e poucos anos e desde os 17 anos dele. Foi uma conversa muito agradável, tive muito gosto, muito prazer, gostei imenso”, afirmou.

Rio acrescentou até que a sua própria intervenção no MEL “está em larga medida sintonizada com o que é o pensamento do dr. Passos Coelho”.

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