Foi na segunda intervenção, no debate parlamentar desta quinta-feira, que Rui Rio acusou o Governo de "dupla falta de respeito" para com os portugueses que estão a pagar a TAP. 

O Governo reverteu a privatização da TAP e que é um erro que estamos todos a pagar forte e feio. Reverteu a privatização de uma empresa falida, uma empresa que dá regalias enormes e que sempre viveu dos nossos impostos", começou por dizer. 

O presidente do PSD referiu que, neste momento, estão contabilizados 4,5 mil milhões de euros para a transportadora aérea, o que dá uma média de 450 euros por cada português.

4,5 mil milhões de euros a dividir por 10 milhões de portugueses, dá em média 450 euros a cada um. Ou seja, há portugueses que vão pagar dois mil, três mil, quatro mil euros para a TAP, por conta dos outros que por parcos rendimentos só podem pagar 20 ou 30 euros." 

Rio classificou esta situação como uma "dupla falta de respeito pelos impostos dos portugueses", uma vez que a TAP se comporta como uma "empresa regional" que abandonou o país "não prestando qualquer serviço público" e "olhando apenas para o aeroporto de Lisboa". 

É receber o dinheiro dos nossos impostos nesta dimensão completamente brutal e ao mesmo tempo não prestar qualquer serviço público e abandonar pura e simplesmente o país", acrescentou. 

A pergunta lançada a António Costa foi: "é só isto? tem a certeza que é só isto? ou ainda vamos ter mais?" e ainda "qual o plano B" caso a Comissão Europeia não autorize o plano de reestruturação.

O Governo tem algum plano B para a TAP no caso de a Comissão Europeia não permitir esta orgia financeira? O que vai fazer se disser que não?”, questionou.

Na resposta, o primeiro-ministro referiu que "não há plano B" e que espera que a Comissão Europeia possa “viabilizar totalmente” o atual plano de reestruturação da TAP até final do ano.

Se não tivéssemos tomado uma posição de controlo (…) já não tínhamos TAP (…) Sei que não aprecia a TAP, que acha que os seus trabalhadores ganham demais e têm benefícios em excesso, mas temos neste momento a TAP em recuperação da sua atividade”, reforçou.

António Costa salientou que ninguém podia prever a “hecatombe” da paralisação da aviação comercial por quase dois anos devido à pandemia de covid-19.

Querer analisar hoje não é rigoroso. Ninguém, ninguém, nem vossa excelência previu que isto podia acontecer, a TAP foi apanhada nesta crise no momento mais crítico do seu plano de desenvolvimento”, defendeu.

Rio admitiu que, se é verdade que ninguém poderia prever, houve países que optaram por outra solução: “Deixaram cair o que não é viável para fazer uma coisa que é viável”, disse.

Cláudia Évora