O presidente do PSD defendeu esta terça-feira que os candidatos a eurodeputados do partido terão de ter “conhecimento e gosto pela Europa”, afastou uma ‘limpeza’ total na lista, e prometeu contar com o atual comissário europeu Carlos Moedas no futuro.

Num almoço promovido em parceria entre a Associação 25 de Abril e a revista "Ânimo", do artista plástico e antigo jornalista e assessor de imprensa do Grupo Parlamentar do PS António Colaço, Rio foi questionado se pretendia recuperar Moedas, que deverá deixar o cargo em breve, para a sua equipa.

Essa respondo com a maior das facilidades. Acho que o Carlos Moedas, se olharmos para os últimos anos do PSD, é das poucas pessoas que realmente sobressaiu. Tendo nós, partidos e PSD, tanta dificuldade de quadros, seria um disparate dizer ‘saiu de comissário, vá lá a vida dele’. Só se eu fosse maluco”, afirmou.

O líder do PSD elogiou a articulação do comissário com os atuais eurodeputados do partido, que considerou a “melhor de sempre”, até pela “natureza afável e simples” de Carlos Moedas.

Sem renovação geral

Antes, Rio tinha traçado o perfil que pretende para a lista de candidatos a eurodeputados do PSD, que voltou a prometer apresentar ainda este mês, e garantiu que não haverá uma renovação geral.

Têm que ser pessoas com conhecimento e gosto pela Europa e alguma experiência. Nunca é de bom tom pegar na lista e limpar tudo, devo ser seletivo entre aqueles que são melhores, é sempre um conceito subjetivo, mas tem de ser assim”, referiu.

O líder social-democrata quer ainda reforçar a agricultura, uma área que considera estar em défice na atual equipa de eurodeputados, e que é desempenhada por Sofia Ribeiro, que foi indicada pelos Açores.

Três mulheres nos primeiros nove lugares – como manda a lei da paridade -, e depois algum equilíbrio “de ordem regional” e até etária completam os critérios traçados por Rio para a lista às europeias de 26 de maio.

Ideologicamente, não vejo grande problema, no leque de opções que existem - muita gente quer ser, mas não são assim tantos - há uma certa uniformidade em todos eles”, apontou.

Tancos: "como se fosse um galinheiro" 

O furto de armas em Tancos foi um dos pontos comuns das intervenções de Rio e Vasco Lourenço, com o presidente do PSD a considerá-lo “uma questão grave” em termos de segurança e do ponto de vista simbólico.

O expoente máximo da segurança nacional, as Forças Armadas, elas próprias são assaltadas através de uma rede como se fosse um galinheiro, e depois quem roubou foi esconder as munições em casa da avó”, disse, provocando risos na assistência.

Já Vasco Lourenço reiterou a sua tese de que “não houve nenhum assalto” em Tancos, mas um desvio de material combinado, considerando que “quem simulou a recuperação do material foi a mesma pessoa que engendrou o desaparecimento”.

Continuo convencido que aquilo foi uma ação política, servindo-se de alguns militares de extrema-direita, que quiseram atacar o Governo, quiseram atacar a solução política e criaram uma situação concreta”, afirmou.

Rui Rio tinha estado nos almoços Ânimo/Associação 25 de Abril em dezembro de 2013 e, mais de cinco anos depois, voltou a alertar para o perigo de se caminhar para uma “ditadura sem rosto”, por considerar que os interesses “setoriais e particulares” se sobrepõem cada vez mais ao interesse público.

Respondendo a uma pergunta da assistência, Rio deixou a garantia de que, se for primeiro-ministro, nunca proporá uma privatização de 51% ou mais da Caixa Geral de Depósitos.

Se eu entendo que deve ser privatizada? Entendo que não. Se admito que a Caixa possa lá ter alguma participação minoritária de capital privado? É um tema a debater”, afirmou.