O presidente do PSD admitiu hoje que a hipótese de liquidação da TAP pode ser preferível se o plano de reestruturação do Governo não der garantias de que a empresa será rentável no futuro, “ao contrário do passado”.

No final de uma audiência com a Confederação do Turismo Português (CTP), Rui Rio não quis fazer uma apreciação sobre o plano de reestruturação do Governo da companhia aérea, dizendo que apenas hoje será apresentado ao PSD, numa reunião pelas 15:30.

No entanto, o presidente do PSD exigiu ao Governo que dê garantias aos portugueses que, se injetar “mais 3 mil milhões de euros, 300 euros por cada português”, a empresa não terá os mesmos problemas do passado, referindo-se, por exemplo, a greves por aumentos salariais ou “à desigualdade” no acesso ao ‘lay off’ dos trabalhadores da TAP em relação aos restantes portugueses.

Questionado se o PSD defende a liquidação da empresa caso o plano não dê essa segurança, Rio respondeu afirmativamente.

“Sim, se o plano de reestruturação não conseguir ter respostas capazes que nos garantam que de futuro não será igual ao que tivemos no passado, isso é evidente. Ter no futuro o que tivemos no passado, acho dramático para as finanças públicas portuguesas”, respondeu.

Instado a concretizar que garantias pede ao Governo, o presidente do PSD considerou que é o executivo que tem de dar respostas de que existe “um plano de reestruturação razoavelmente bem feito e minimamente credível”.

“É o Governo que tem de nos convencer - a nós, ao PSD, e ao país - que se agora meter 3 mil milhões de euros e cada português der mais 300 euros, de futuro acabou e a TAP passa a ser uma empresa rentável”, afirmou, salientando que, mesmo quando o turismo “estava em alta, a TAP continuava dar prejuízo”, disse.

PSD diz que ministro assumiu desconforto com decisão de Costa de não levar plano a votos

O PSD afirmou esta quinta-feira que o ministro Pedro Nuno Santos assumiu entender que o “caminho certo” era fazer votar o plano de reestruturação da TAP no parlamento e até “não estar confortável” com a decisão contrária do primeiro-ministro.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião com o Governo, o líder parlamentar do PSD, Adão Silva, falou num “dissenso” entre o primeiro-ministro e o ministro das Infraestruturas sobre a possibilidade de fazer votar este plano, hoje totalmente afastada por António Costa.

Questionado se o ministro Pedro Nuno Santos tinha assumido essa vontade na reunião de hoje, o deputado do PSD respondeu afirmativamente.

Sim, sim, o senhor ministro disse-nos até que não estava muito confortado, ou confortável, não estava muito satisfeito com a decisão do primeiro-ministro, isso é verdade”, afirmou, acrescentando que Pedro Nuno Santos reiterou na reunião com os sociais-democratas entender que “esse era o melhor caminho”.

Lara Ferin / Atualizada às 18:08