O presidente do Aliança, Pedro Santana Lopes, criticou esta quinta-feira o ex-ministro do Planeamento, Pedro Marques, por ter promovido cerimónias públicas e feito anúncios de obras, dias antes de ser confirmado como candidato socialista às eleições europeias.

Quando um ministro, nas semanas anteriores a ser anunciado que é candidato a uma eleição, faz cerimónias públicas como nunca fez para anunciar uma série de projetos - que vamos ver se se concretizam - acho pelo menos que ‘não cai bem’ e deve ser mesmo motivo de censura", afirmou.

O presidente do Aliança falava na Covilhã, no distrito de Castelo Branco, onde participou na sessão de apresentação do livro "Quo Vadis Europa - A Encruzilhada Europeia", da autoria de Bruno Ferreira Costa, docente da Universidade da Beira Interior e terceiro candidato da Aliança na lista às eleições europeias.

No fim da sessão, em que também marcou presença Paulo Sande, cabeça de lista do Aliança às eleições Europeias, Pedro Santana sublinhou que as frases "em política, o que parece é" e "não basta ser, é preciso parecer" se aplicam às atitudes de Pedro Marques na reta final como governante.

Pedro Santana Lopes considerou ainda que os anúncios ministeriais feitos antes da candidatura representam "uma má saída do Governo e uma má entrada como candidato ao parlamento Europeu".

A falar na terra de Carlos Pinto, vice-presidente do Aliança que foi suspenso de funções, Pedro Santana Lopes sublinhou que para ele não há pessoas "proscritas" e que se o ex-presidente da Câmara da Covilhã tivesse marcado presença naquela sessão ter-lhe-ia feito um cumprimento público e tê-lo-ia saudado.

O vice-presidente da Aliança Carlos Pinto foi, na última semana, suspenso de funções até ao "cabal esclarecimento" do caso em que é acusado de peculato e prevaricação, e depois de ter posto o lugar à disposição da direção do partido.

A decisão foi tomada, depois de a SIC ter noticiado no fim de semana que o antigo presidente da Câmara Municipal da Covilhã foi acusado pelo Departamento de Investigação Penal de Coimbra, e que em causa está a alegada construção ilegal de uma casa, bem como o pagamento de parecer jurídicos com dinheiro do município.

Em reação à notícia, Carlos Pinto já anunciou que vai requerer a abertura de instrução, até porque, segundo diz, os factos em causa já foram julgados como "corretos e legais" pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco.

Esta quinta-feira, Pedro Santana Lopes reiterou que a suspensão foi decidida não por falta de confiança pessoal em Carlos Pinto, mas pelas "exigências daquilo que tem de ser a confiança dos cidadãos nos seus representantes","Não é uma questão de confiança minha nele, é aquilo que entendo que devo fazer para assegurar e contribuir para a confiança dos cidadãos naqueles que escolhem e naqueles que os querem representar", apontou, ressalvado que não é por isso que passa a falar de outra forma às pessoas ou a pensar diferente sobre as pessoas.

O líder do Aliança defendeu ainda que, "mesmo que possa ter havido um erro ou uma conduta censurável, as pessoas têm direito a reintegrar-se", tendo dado o exemplo de um conhecido político francês que teve uma pena suspensa e que, passado esse tempo, voltou ao exercício das funções políticas.

Questionado ainda sobre as portagens nas ‘ex-scuts’, Pedro Santana Lopes explicou que o partido ainda não tem uma posição fechada porque considera que é necessário fazer primeiro um estudo, mas admitiu a possibilidade de, nestes casos, rever a sua posição favorável do princípio do utilizador pagador.