O presidente da Aliança, Pedro Santana Lopes, afirmou esta terça-feira preferir que o partido concorra sozinho às europeias e legislativas, refutando a ideia de que tem medo de disputar eleições e fazer campanha.

“Eu prefiro, pela Aliança, que vá sozinha. Às europeias, ia sempre, às legislativas, se houvesse essa coligação não ia, mas não tenho - nem eu nem quem me acompanha - dificuldade em fazer campanha”, considerou, referindo que “depois os portugueses escolhem”.

Falando num almoço-debate no International Club of Portugal, que decorreu em Lisboa, Pedro Santana Lopes abordou o desafio que lançou ao PSD, partido que também já liderou, para uma coligação pré-eleitoral para as legislativas de 06 de outubro.

“É bom para as coisas ficarem clarificadas. Eu não fiz uma proposta formal, a proposta formal da Aliança que neste momento existe é de uma coligação pós-legislativas”, afirmou Santana Lopes, acrescentando que “fazendo bem contas, é evidente que é menos difícil desalojar a frente de esquerda do poder se houvesse uma coligação pré-eleitoral”.

Uma vez que o presidente do PSD, Rui Rio, descartou esta proposta, o presidente da Aliança salientou que isso não é “problema nenhum”, e que vai “lutar de outra maneira, lutar por outro lado”.

Apontando que o seu desafio passava por “construir uma solução com base nos resultados das europeias”, o antigo primeiro-ministro assinalou que “não é medo nenhum a Aliança ir a eleições”.

“Vamos ver, mas eu estou convencido de que vai ser bom”, precisou, salientando que o seu “sonho” é que a Aliança “contribua para baixar a abstenção”.

Pedro Santana Lopes disse ainda que “uma coisa é o interesse de um partido, outra é o interesse de um país”, e que “para Portugal era bom sair a frente de esquerda e entrar um Governo que dê importância maior ao investimento, ao papel das empresas, à sua capitalização, ao aumento e melhoria da produtividade, a outra atitude em Bruxelas, um apoio de Bruxelas ao crescimento económico”.

O presidente da Aliança não se poupou a apontar críticas a Rui Rio por admitir “viabilizar um Governo do PS depois das eleições”, e dizer “não a uma hipótese de coligação no centro-direita”.

“Não há nada como as coisas estarem claras, e nomeadamente antes de começar todo o trabalho de campanha e pré-campanha que vamos fazer, agora ficamos a saber que o PSD fica à espera que o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP se zanguem para se poder entender com o Partido Socialista. Isto fazendo fé nas palavras do seu líder”, referiu.

“Não é essa a nossa posição, e digo de forma muito clara”, vincou, apontando que “sem coligação, por causa do método d´Hondt, é mais difícil”.

Questionado pelos jornalistas sobre um possível convite ao CDS-PP de Assunção Cristas, Santana Lopes salientou que “as propostas devem ser feitas de modo transparente, em público, depois há conversar que devem feitas de modo mais reservado”.

“Quando conversar com ela, vamos ver”, rematou, escusando-se a acrescentar mais.

Santana Lopes teve ainda oportunidade de deixar uma crítica ao cabeça de lista do PS às eleições europeias, depois de Pedro Marques ter manifestado intenção de participar em debates apenas com partidos já com representação.

Referindo a ele como o “ministro das cerimónias”, o líder da Aliança advogou que o arranque das europeias “não começa bem”.

“Eu sei que hoje em dia eles gostam das coisas em família, mas agora só querem debater com alguns partidos e com outros não?”, questionou, vincando que “o critério” para os debates “só pode ser o do interesse público”.