CDS-PP fez hoje no Parlamento 14 perguntas ao ministro da Saúde sobre o atendimento de crianças no serviço de oncologia do Hospital de São João, no Porto, e instou o primeiro-ministro a pôr "ordem" no ministro das Finanças.

Bem pode Centeno ir para o Eurogrupo autodenominar-se de Cristiano Ronaldo das Finanças que estas crianças, que seguramente têm em Cristiano Ronaldo um ídolo, não merecem do ministro este tipo de atitude. Apelo a que o primeiro-ministro ponha na ordem, como pôs o ministro da Cultura, o ministro das Finanças, porque é ele quem manda", afirmou o líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães.

O PCP também já reagiu e vai requerer a audição parlamentar urgente do ministro da Saúde e da administração do Hospital de São João, sobre as condições de funcionamento do atendimento de crianças com cancro naquela unidade hospitalar.

Esta situação é a prova de que a opção central não pode ser a redução do défice, mas a recuperação do investimento público e resolver os problemas das pessoas e mostra a sua premência e urgência, depois de quatro anos de governação PSD/CDS em que houve um decréscimo acentuado no investimento público que degradou a resposta pública, quer no SNS, quer na educação", disse a deputada comunista Carla Cruz 

O presidente do Hospital de São João, no Porto, admitiu esta terça-feira que as condições do atendimento pediátrico são "indignas" e "miseráveis", lamentando que a verba para a construção da nova unidade ainda não tenha sido desbloqueada.

Foram noticiadas queixas de pais de crianças com doenças oncológicas sobre a falta de condições de atendimento dos seus filhos em ambulatório e também na unidade do 'Joãozinho' para onde as crianças são encaminhadas quando têm de ser internadas.

PS acha "preocupante"

Também o PS considerou "preocupante" a situação na unidade pediátrica de oncologia do Hospital de São João do Porto, mas adiantou estar "bem encaminhada" a concretização pelo Governo de um investimento de 22 milhões de euros.

Na Assembleia da República, o dirigente socialista António Sales disse que o PS "está muito preocupado" com a situação, já que se trata "de crianças com patologia oncológica, mas também de profissionais de saúde que trabalham em condições menos boas".

Nos fóruns próprios e junto dos órgãos próprios, o Grupo Parlamentar do PS fará pressão para que esta situação seja resolvida o mais depressa possível. Sabemos que está bem encaminhada a solução, quer por parte do Ministério da Saúde, quer por parte do Ministério das Finanças", referiu o deputado socialista eleito pelo círculo de Leiria.

Interrogado se já há autorização para a realização do projetado investimento nesta unidade especializada do Hospital de São João do Porto, António Sales recusou-se a dar pormenores, dizendo apenas que, "da parte [do Ministério] da Saúde, as coisas estão muito bem encaminhadas".

Da parte das Finanças não posso ainda fazer essa afirmação. Mas a muito breve trecho tudo também estará resolvido pelas Finanças. Está em causa desbloquearem-se 22 milhões de euros para esta nova ala pediátrica do hospital", completou.

Perante a insistência dos jornalistas sobre se existe ou não 'luz verde' do Ministério das Finanças para a concretização do investimento, o deputado do PS respondeu: "Tenho a garantia que, por parte das Finanças, serão feitos todos os esforços para poder colmatar esta lacuna relativamente ao Hospital de São João".

Depois, António Sales respondeu às críticas feitas ao Governo pelo PSD e CDS-PP, começando por dizer que, "ao fim de dez anos, finalmente, este Governo vai resolver este processo".

É para nós estranho que a oposição explore agora esta situação, até porque terá provavelmente conhecimento prévio que esta situação está prestes a ser resolvida", alegou.

Bloco quer verbas de imediato

Por seu turno, o Bloco de Esquerda (BE) recomendou ao Governo que desbloqueie e disponibilize de imediato as verbas já protocoladas para a ala pediátrica do Hospital de São João, no Porto, criticando “a obsessão pelo défice” em detrimento do investimento nos serviços públicos.

O Governo não pode privilegiar ou preferir o caminho da obsessão pelo défice e desguarnecer os serviços públicos, sendo certo que ao fazê-lo está a prejudicar a saúde das pessoas e a capacidade do Serviço Nacional de Saúde”, criticam.

Para os bloquistas, “é já mais do que tempo de avançar para as obras necessárias neste Centro Hospitalar para que, de uma vez por todas, se dê condições, conforto e dignidade nos tratamentos e internamento de crianças no Hospital S. João”.

Em declarações aos jornalistas, no parlamento, o deputado do BE, Moisés Ferreira, considerou que esta é uma “situação muito grave”.

Nós não podemos admitir no nosso país tratamentos de quimioterapia a crianças com cancro feitos em corredores dos hospitais e não podemos admitir no nosso país internamentos pediátricos em contentores sem nenhuma condição”, condenou.

Este projeto de resolução, segundo o deputado, pretende que “se desbloqueie a verba de 22 milhões de euros, que já foi prometida mais do que uma vez ao Hospital São João e que apesar de reiteradas e repetidas promessas nunca foi desbloqueada”.

/ LCM/Atualizada às 19:31