Durante a época de Natal, a Maternidade Alfredo da Costa teve apenas um anestesista escalado e as grávidas foram encaminhadas para outros hospitais. Questionada sobre a situação, a ministra da Saúde, Marta Temido, garantiu, na altura, que o funcionamento da maternidade não estava comprometido e que esta não era uma questão de fácil resolução. Chegou mesmo a afirmar que nem a oferta de pagamento de 500 euros por hora, a um anestesista, conseguiu colmatar a falta.

Esta quinta-feira, o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Guimarães, veio falar em "mito de Natal", questionando os valores referidos por Marta Temido.

Em declarações à TVIJosé Miguel Guimarães afirmou que o concurso que a Ordem dos Médicos abriu em regime de prestação de serviços previa o pagamento de 39 euros à hora aos anestesistas e pediu a reposição da verdade dos factos à ministra da Saúde.

Mas pouco tempo depois, o Governo reagia através de um comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, confirmando as afirmações da Ministra da Saúde.

"No âmbito de notícias que dão conta de alegada contratação de um anestesista em prestação de serviço para completar a escala da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), nos dias 24 e 25 de dezembro, o Ministério da Saúde esclarece que:

 

- O Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) procurou realizar a contratação externa de um anestesista junto de empresas prestadoras de serviços, de forma a garantir o suprimento da necessidade de um especialista na escala da MAC nestes dias;

 

- Uma das respostas enviadas por uma destas empresas ao CHLC referia que os vários especialistas contactados não estavam disponíveis para trabalhar pelos valores propostos (cujos valores de referência constam do despacho 3027/2018) e incluía ainda a disponibilidade de um anestesista mediante o pagamento de 500 euros por hora;

 

O Ministério da Saúde reafirma, por isso, a veracidade das declarações proferidas neste âmbito, de que existiu uma proposta no valor referido por parte dos prestadores de serviço. 

 

O Ministério da Saúde sublinha que foram feitos todos os esforços para garantir a segurança e qualidade dos cuidados de saúde prestados, articulados, como habitualmente, na resposta em rede com outras unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde da região de Lisboa."

Sindicato acusa ministra da Saúde de "enorme desrespeito" por médicos do SNS

O Sindicato Independente dos Médicos acusou a ministra da Saúde de manifestar um “enorme desrespeito” pelos médicos do quadro do Serviço Nacional de Saúde ao dar a entender que pagaria 500 euros à hora a médicos prestadores de serviço.

Em comunicado hoje emitido a propósito do caso da falta de anestesistas na Maternidade Alfredo da Costa no Natal, o Sindicato lembra que a maioria dos médicos especialistas do quadro do SNS ganha 9,27 euros líquidos por hora, no regime de 40 horas semanais, e 7,89 euros líquidos nas 35 horas.

A senhora ministra manifesta um enorme desrespeito pelos médicos do quadro do seu SNS quando afirma que pagaria 500 euros por hora a prestadores de serviços médicos”, indica a nota do Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

O sindicato indica que pagar 500 euros por hora a um prestador de serviços durante 12 horas corresponderia ao triplo do que ganha um médico no SNS num mês.