O secretário-geral do PCP reclamou hoje que o aumento das pensões e reformas no âmbito do Orçamento do Estado para 2017 acontecerá por iniciativa dos comunistas, que persistiram, começando por estar sozinhos nessa proposta para 2016.

O ponto de situação que podíamos fazer é este: hoje não se discute se vai haver ou não aumentos das reformas e pensões, hoje a questão está em saber quanto é que vão ser aumentadas por iniciativa do PCP", afirmou Jerónimo de Sousa.

Numa intervenção no final de um almoço com militantes e simpatizantes em Ota, no concelho de Alenquer, o líder comunista começou por falar das notícias que surgem a atribuir a autoria de medidas aos vários integrantes do apoio parlamentar do Governo do PS (BE e PEV, além do PCP), com "alguns a tomarem a dianteira e a porem o dedo no ar".

O PCP não faz questão de pôr o dedo no ar ou assumir protagonismo que não tem. O que dizemos é que onde o PCP tem proposta ou fez proposta, estivemos à altura dos compromissos que temos com os trabalhadores e com o povo", disse.

O líder comunista prosseguiu que, "no quadro das pensões e das reformas era conhecida a posição do PCP": "Há muito que vínhamos discutindo uma contraproposta do Governo". 

É preciso fazer aqui uma breve lembrança histórica, no Orçamento para 2016 ficámos sozinhos em relação à nossa proposta de um aumento extraordinário de 10 euros. A direita não nos acompanhou, naturalmente, mas nem PS nem BE nos acompanharam, e ficando sozinhos tudo convidava a desistir, mas não, persistimos, voltámos neste Orçamento do Estado a insistir nesta proposta justa", sustentou.

CGD: Jerónimo exige entrega de declarações para acabar com destabilização da direita 

O secretário-geral do PCP exigiu hoje a entrega das declarações de rendimentos pelos administradores da Caixa Geral de Depósitos, argumentando que "é a melhor forma de acabar" com a campanha da direita para "destabilizar a recapitalização" do banco.

É preciso transparência, é preciso cumprir uma obrigação legal, entreguem a declaração dos seus rendimentos. É a melhor forma de acabar esta campanha que a direita está a promover. PSD e CDS não estão nada preocupados com a transparência, não estão nada preocupados com a clareza deste processo", afirmou Jerónimo de Sousa.

O líder comunista recordou que o ex-primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, "admitia perfeitamente a privatização da Caixa Geral de Depósitos" e "aproveita este processo para destabilizar o processo de recapitalização".

Resolva-se isto o mais depressa possível, em nome da defesa da Caixa Geral de Depósitos pública, ao serviço da economia nacional, ao serviço das pequenas e médias empresas", afirmou.

Jerónimo introduziu este tema na sua intervenção considerando que "não se admite este arrastamento desta situação dos administradores da Caixa".

"Aqui não há figuras de primeira e de segunda, todos têm de cumprir a lei, todos têm a obrigação, designadamente, responsáveis de altos cargos públicos, de apresentar os seus rendimentos e património no Tribunal Constitucional. Não há dúvida", declarou, sublinhando que todos os titulares de cargos políticos e altos cargos públicos o fazem.

"Porque é que os administradores da Caixa deviam ser excecionados?", questionou.

/ ALM com Lusa