A ministra da Saúde afirmou esta quarta-feira no Parlamento que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a recuperar os índices de atividade, depois de ter sido fortemente afetado pela pandemia de covid-19.

Referindo que no ano de 2020 houve apenas "um ligeiro acréscimo" das consultas em atividade existencial em cuidados de saúde primários, Marta Temido diz que existe agora "uma nova realidade".

Em maio de 2021 foram realizadas mais três milhões de consultas que em 2020", destacou a governante, referindo que este mesmo esforço se verifica quando comparado com o mesmo período em 2019.

Segundo a ministra, este esforço deve-se aos profissionais de saúde, e é composto por consultas médicas presenciais e não presenciais.

A melhoria fez-se também nas consultas de enfermagem, com mais quatro milhões de consultas nos primeiros cinco meses do ano, quando comparado com 2020.

Neste ponto, Marta Temido destacou que a atividade não presencial não é contabilizada.

Mais de 230 médicos saíram do SNS

Mais de 230 médicos do SNS aposentaram-se este ano até maio, dos quais 131 eram especialistas em medicina geral e familiar, revelou a ministra da Saúde.

Segundo disse Marta Temido aos deputados da comissão parlamentar de Saúde, em 2019 aposentaram-se 409 médicos, no ano passado foram 653 e, até maio deste ano 231.

É uma circunstância que é fruto do que são os direitos do trabalhadores, pelo decurso do seu exercício profissional”, disse a ministra, sublinhando que o Governo tem trabalhado para inverter a situação, tentando abrir mais vagas e “garantido que não há nenhum médico que queira ser contratado que fique por contratar”.

A este propósito, disse ainda que, aproveitando o mecanismo que permite a contratação de médicos aposentados, estão hoje a trabalhar com o Serviço Nacional de Saúde mais 346 médicos aposentados.

Sobre os dados dos utentes sem médicos de família, a ministra sublinhou a duração do ciclo de formação destes profissionais de saúde e sublinhou: “a demografia médica reflete a demografia da sociedade em geral”.

Não é surpresa nenhuma este volume de aposentações, pois sabia-se que ia confluir para os anos que estamos a viver”, afirmou.

Para contrariar a saída de médicos, a ministra apontou a aposta na abertura de mais vagas especializadas e para medicina geral e familiar: “É uma opção política, não é por acaso”.

Apesar de sabermos que não vamos, com muita probabilidade, reter todos os médicos [para as vagas do concurso que o Governo autorizou abrir no início do mês], como a taxa retenção nesta área é de 86%, se aplicarmos taxa semelhante aos 459 postos de trabalho abertos, iremos ficar com 395 médicos [medicina geral e familiar]”, afirmou.

E acrescentou: “Se atribuirmos uma lista media de utentes de 1.650 a cada um, iríamos recuperar [e conseguir ter mais] 650 mil portugueses com médicos de família”.

A este propósito, a ministra sublinhou que nos primeiros cinco meses do ano houve mais 75.000 inscritos no Serviço Nacional de Saúde.

Segundo revelou, o custo com encargos com pessoal nos primeiros cinco meses do ano cresceu 190 milhões de euros, dos quais 60 milhões representam encargos com remunerações.

António Guimarães