A ministra da Saúde, Marta Temido, considerou, nesta sexta-feira, que "não há coincidências" quanto ao momento escolhido para as várias greves anunciadas e que vão afetar o Serviço Nacional de Saúde, particularmente em novembro.

Compreendemos que muitas das aspirações e reivindicações dos profissionais de saúde estiveram contidas devido à pandemia e que estejam todas agora a surgir ao mesmo tempo, mas não há coincidências. Parece que de setembro para outubro, todo o Serviço Nacional de Saúde que estava com uma resposta extraordinária está agora a claudicar", afirmou a governante, no Porto, no Hospital Conde de Ferreira, em declarações aos jornalistas, à margem de uma homenagem ao antigo diretor clínico.

Marta Temido referia-se ao "contexto específico" da discussão e aprovação do Orçamento do Estado para 2022, que leva sempre, apontou, a que "um conjunto de questões" sejam colocadas "nesta altura".

É um facto que há questões colocadas que são questões que todos reconhecemos há muito tempo, estamos todos de acordo quanto ao diagnóstico. Mas não é uma questão de legitimidade, é uma questão de disponibilidade que temos enquanto país para atender a todas as reivindicações ao mesmo tempo. Não estamos a falar de não atender reivindicações, estamos a falar do ritmo ao qual podem ser respondidas e da conjugação dessas mesmas respostas", disse.

Os médicos, enfermeiros e farmacêuticos do SNS anunciaram já todos paralisações de vários dias, entre o final de outubro e durante o mês de novembro. Os enfermeiros, por exemplo, foram dos mais críticos em relação à ministra, que acusam de nunca os ter ouvido.

Marta Temido lembrou que "só o o secretário de Estado Adjunto e da Saúde [Lacerda Sales] realizou mais de 28 reuniões com estruturas sindicais ao longo desta legislatura", garantindo que "o Governo sempre esteve disponível para dialogar e discutir as questões que os sindicatos colocaram".

Nunca desistimos de procurar respostas, mas, ao longo deste tempo, estivemos mais concentrados em resolver um conjunto de problemas", argumentou.

A ministra da Saúde disse, também, que a prioridade "é a resposta às questões dos utentes" e que, apesar de "a motivação dos profissionais" ser "uma grande preocupação", a "sustentabilidade financeira do SNS" é igualmente "uma preocupação" a ter para com "todos os portugueses".

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Catarina Machado