José Sócrates quebrou o silêncio em entrevista à RTP. Sobre a dívida pública sublinhou que o atual Governo aumentou mais esse número do que o seu executivo.

«Entre 2005 e 2008 a dívida pública subiu cerca de 5 pontos percentuais. Em 2008 a nossa dívida estava muito perto da média da União Europeia. Entre 2008 e 2010, em que me acusam de ter comandado um Governo despesista, subiu 20 pontos. Agora, neste Governo, subiu 30 pontos», analisou.

«2009 foi o ano da grave crise internacional em que todas as dívidas subiram. Como é que se compara com a que existe agora? Entre 2008 e 2010 a dívida subiu 20 pontos percentuais, mas nestes dois anos já levam 30 pontos percentuais, de 93 para 123%. Como é que acusam o anterior Governo de ser despesista se agora tem um crescimento maior?», questionou.

«A recessão é mais profunda em 2012 em Portugal devido às medidas de austeridade deste Governo», frisou.

Aumento dos salários para a Função Pública

Ainda no que diz respeito a 2009, foi questionado o facto de nesse ano a Função Pública ter sido aumentada em 2,9%. Sócrates diz que na altura foi preciso responder às dificuldades das famílias.

«Tínhamos uma doutrina na Europa, de fazer face à crise, aguentar a economia, ajudar as famílias e aumentar o poder de compra. Vínhamos de três anos em que não aumentávamos os funcionários públicos», recorda, acrescentando:

«A decisão foi tomada em setembro de 2008, quando preparava o orçamento. Havia o aumento exponencial dos preços do petróleo e impacto na vida das pessoas. Foi nessa circunstância que decidi aumentar os salários. Em setembro de 2008 acontece a queda do Lehman Brothers e o mundo entrou numa nova realidade. É mais fácil dizer agora do que na altura».

Sócrates considera que «ninguém adivinhou aquela crise». « No final de 2009 havia uma crise económica à qual tínhamos de responder. Portugal e a Europa procurou aumentar as proteções sociais das famílias, conter o desemprego e potenciar a procura interna. Aqui e em toda a Europa».

«O impacto das dívidas e nos défices foi semelhante em toda a União Europeia. O ponto de partida é que era diferente», acrescentou, recordando o legado deixado pelos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes:

«Chegámos ao Governo com o país sendo o único com défice excessivo. Entre 2005 e 2008 fizemos uma governação que foi responsável por manter o crescimento económicp, que em 2007 foi de 2,4%, o maior crescimento da década. Isto de venderem a ideia da década perdida quer esconder o período de 2005 a 2008,em que foram feitas mudanças estruturais».
Redação / FC