O semanário «Sol» revela que a Portugal Telecom estaria a ser usada pelo Governo no alegado «plano» para controlar os meios de comunicação social. A mesma PT que, há cinco anos, José Sócrates quis que deixasse de ser «instrumentalizada».

Segundo o jornal, na quinta-feira, dia 25 de Junho, «estava para ser concluído o negócio» entre a PT e a Prisa, para a aquisição de 30 por cento da Media Capital, dona da TVI. Só que o Presidente da República, Cavaco Silva, nesse mesmo dia, pediu «transparência» e exigiu explicações à empresa com uma golden-share (participação accionista do Estado).

«Zeinal é empurrado para dar a cara pela PT, em entrevista a Judite de Sousa - uma decisão tomada em reunião do conselho de administração do grupo, nesse mesmo dia 25», escreve o «Sol».

Nas escutas divulgadas pelo semanário, Paulo Penedos, assessor da PT e arguido no processo Face Oculta, fala com Rui Pedro Soares, administrador-executivo da PT, também arguido e que interpôs a providência cautelar ao «Sol», perguntando-lhe se Zeinal Bava, presidente da PT, estava informado que José Sócrates «mandara abortar o negócio» [PT/TVI], tendo Rui Pedro negado.

«Passam seis minutos da meia-noite quando Penedos fala com André Figueiredo [chefe de gabinete de Sócrates no PS]», diz o jornal. O assessor da PT terá perguntado se Sócrates «estava calmo».

André responde que a única preocupação de Sócrates são as declarações de 2004, as tais em que o secretário-geral do PS, na altura na oposição, prometia uma lei que proibisse a participação directa ou indirecta do Estado nos meios de comunicação social.

Em 2004, Sócrates referia-se assim ao negócio da PT com a Lusomundo: «[Na altura da venda], os argumentos eram razoáveis, [a concentração] parecia fazer sentido. A ninguém passou pela cabeça que a PT se tornasse tão instrumentalizada». «Fomos aprendendo», admitiu.

Segundo o semanário, o primeiro-ministro esqueceu-se dessa promessa. O Estado continuou a deter uma golden-share da PT e a empresa serviria agora para a aquisição da Cofina ou da Impresa, «numa primeira fase», «e no fim surgiu a hipótese do grupo Controlinveste (DN/JN/TSF), de Joaquim Oliveira».

«Poderiam resultar prejuízos económicos para a PT que previsivelmente seriam ¿pagos¿ com favores do Estado ou no mínimo colocariam decisores políticos na dependência de decisores económicos»», cita desta forma o «Sol» o despacho de 23 de Junho do procurador João Marques Vidal, na fundamentação das primeiras certidões extraídas do processo Face Oculta.
Redação / CP