Rui Rio defende que, a ser verdade que o ministro da Defesa teve conhecimento do encobrimento na recuperação do material furtado em Tancos, Azeredo Lopes não tem condições para continuar a governar.

“A não ser que seja tudo redondamente mentira e provado que é redondamente mentira, não vejo como é que, nestas condições, um primeiro-ministro pode manter o ministro em funções”

O presidente do PSD salientou ainda à Lusa que tem por princípio “não pedir demissões de membros do Governo”.

A palavra é sempre do primeiro-ministro, mas, quando eu for primeiro-ministro, nestas circunstâncias era impossível manter um ministro em funções. A não ser que isto seja redondamente mentira, mas isso é que eu tenho dúvidas".

O Expresso noticiou, esta quinta-feira, que o ex-porta-voz da Polícia Judiciária Militar, major Vasco Brazão, assegurou ao juiz de instrução do caso de Tancos ter dado conhecimento a Azeredo Lopes da encenação montada na Chamusca mais de um mês após a recuperação do arsenal.

Por seu lado, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, negou “categoricamente” ter tido conhecimento de qualquer “encobrimento” no caso da de recuperação do material militar furtado nos paióis em Tancos.

O ministro da Defesa negou "categoricamente" que tenha sabido da encenação montada na Chamusca mais de um mês após a recuperação do arsenal roubado em Tancos.

“Queria dizer categoricamente que é totalmente falso que eu tenha tido conhecimento de qualquer encobrimento neste processo. Não tive conhecimento de qualquer facto que me permitisse acreditar que terá havido um qualquer encobrimento na descoberta do material militar de Tancos”, garantiu aos jornalistas em Bruxelas.

A Polícia Judiciária deteve, em 25 de setembro, no âmbito da Operação Húbris, que investiga o caso da recuperação das armas furtadas em Tancos, o diretor e outros três responsáveis da Polícia Judiciária Militar, um civil e três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé.

Na sexta-feira, o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decretou prisão preventiva para o diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, e para o civil.

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.