O presidente da Câmara de Lisboa reagiu, esta quinta-feira, pela primeira vez aos polémicos festejos dos adeptos no Sporting após a vítória do 19.º título de campeão português de futebol.

Em declarações aos jornalistas, Fernando Medina disse que o cenário em que se estava a trabalhar era "muito difícil" e que a autarquia nunca defendeu palcos, ecrãs, nem concentrações no Marquês de Pombal. 

Nós trabalhamos sempre num cenário muito difícil, que era o de saber que haveria sempre largos milhares de pessoas na rua e que, ou haveria algum tipo de enquadramento relativamente a essa utilização do espaço por parte das pessoas, ou nós iríamos ter um processo descontrolado na cidade, com uma concentração que seria total no Marquês de Pombal".

 

Defendemos sempre, desde o início, a proposta que estava em cima da mesa de não se instalar um palco no Marquês de Pombal e de haver um autocarro que fizesse o Estádio José de Alvalade até ao Marquês de Pombal, ida e volta, isto é, trocar a concentração da praça do Marquês de Pombal por um espaço com 12 quilómetros, ida e volta, onde as pessoas pudessem estar distribuídas a ver a sua equipa, era uma situação que contribuiria para reduzir os ajuntamentos", acrescentou. 

Medina disse ainda que "houve várias coisas que não correram bem", mas que o Município "não tem nenhum poder de autorizar nem manifestações, nem reuniões, nem organizações".

A nossa alternativa é uma de duas: ou elas acontecem espontaneamente, ou se tenta organizar com os promotores e com as autoridades, nomeadamente segurança pública, um sistema essa concentração".

Criticou quem tem feito discursos de "passa culpas" ou de "aproveitamento político", referindo-se a alguns deputados durante o debate parlamentar com António Costa na quarta-feira, e lembrou que o Governo já solicitou ao Ministério da Administração Interna um relatório e um inquérito sobre o que se passou naquela noite. 

O presidente da Câmara de Lisboa disse ainda desconhecer que a PSP tenha emitido um parecer negativo à festa que se realizou junto ao estádio de Alvalade.

Eu vi notícias das fontes associadas à polícia […] que induziram em erro notícias que alguns jornalistas publicaram, invocando que havia um parecer negativo contra essa organização. Se o há eu não o conheço. E se o há deve ser dirigido internamente à polícia ou ao Ministério da Administração Interna”.

Cláudia Évora