A vice-presidente da bancada do PSD Teresa Leal Coelho considerou esta quinta-feira que os titulares de cargos públicos que pertençam a uma sociedade secreta não o devem declarar como registo de interesse, mas «afastar todos os interesses privados» dos processos decisórios.

«A minha perspetiva é de que a nossa matriz de democracia deve sustentar-se no princípio da liberdade/responsabilidade. Todos aqueles que desempenham cargos públicos devem exercê-lo com liberdade e com responsabilidade e sempre que estão no processo decisório em matéria pública, política, devem ponderar, desde logo, o interesse público e afastar todos os interesses privados que todos nós cidadãos temos», afirmou aos jornalistas no Parlamento.

Para Teresa Leal Coelho, aquela é «uma matéria de ética individual», afastando, assim, que os titulares de cargos públicos tenham que declarar no seu registo de interesses que pertencem a uma sociedade secreta, como a Maçonaria.

A deputada contradiz assim o que afirmou, na terça-feira, na TVI24, onde disse que «para que haja transparência é preciso que haja um registo de interesses sobre esta matéria».

Esta quinta-feira, a vice-presidente da bancada parlamentar social-democrata frisou que «todos os cidadãos têm interesses privados» e «não são só alguns que têm outros interesses que são contrários e divergentes do interesse público».

«Isso que fique bem claro. Não é porque se é membro de uma loja maçónica ou porque se está ligado a uma qualquer corporação que há outros interesses envolvidos. Todas as pessoas têm outros interesses envolvidos na sua vida. Portanto, esta questão não deve ser ponderada exclusivamente para alguns», afirmou.

A questão foi colocada à deputada social-democrata após ter sido noticiado que o líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, e outros deputados, nomeadamente o líder da bancada do PS, Carlos Zorrinho, pertencem à Maçonaria.
Redação / MM