Sobre a notícia de que o Ministério Público de Lisboa ordenou à PSP que lançasse uma operação de vigilância a dois jornalistas, Tiago Mayan disse tratar-se de uma situação "absolutamente inaceitável"

Absolutamente inaceitável. É um atentado à liberdade de imprensa, ao direito constitucional e ao que é absolutamente essencial para o equilíbrio de um estado de direito (...) e pelo que se viu da história, tem contornos ainda mais graves do que aquilo que se poderia supor à primeira vista, porque implica também vasculhagem de contas bancárias, estar a gravar jornalistas e é, do meu ponto de vista, a inversão total do que deve ser um foco de investigação, que deveria ser os prevaricadores, de quem viola o segredo de justiça, e não quem está a exercer o seu direito à liberdade de imprensa".

Questionado se o Presidente da República deveria ter intervido, o candidato liberal afirmou Marcelo deveria ter alertado para este "atentado", mas lembrou que existe um princípio de separação de poderes que tem de ser tido em conta.

As vigilâncias sobre os jornalistas Henrique Machado e Carlos Rodrigues Lima ocorreram na via pública, às ordens da magistrada Andrea Marques, do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, entre abril e maio de 2018, no âmbito de uma investigação por violação de segredo de justiça.

Em causa, a operação E-toupeira, a 6 de março de 2018. Foi detido nessa manhã Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, por suspeitas de corrupção, e Henrique Machado noticiou esta detenção pelas 08:51. Seguiu-se uma notícia de Carlos Rodrigues Lima. O Ministério Público abriu um processo por violação de segredo e ao fim de uns dias já estava a ordenar à polícia que passasse a vigiar os dois jornalistas.

Cláudia Évora