A situação em Odemira “é um problema sobretudo de direitos do trabalho e direitos humanos”, defendeu, neste sábado, a coordenadora do Bloco de Esquerda, depois de vários partidos terem pedido a demissão do ministro Eduardo Cabrita.

Este problema não é um problema da Administração Interna apenas, é um problema de como nós encaramos quem trabalha em Portugal", disse Catarina Martins, em declarações aos jornalistas, no Porto, na manifestação da CGTP.

Ao Chega e à Iniciativa Liberal, que já tinham pedido a saída do ministro da Administração Interna, juntaram-se, na sexta-feira, o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues do Santos, e o presidente do PSD, Rui Rio.

Rui Rio disse que, se fosse primeiro-ministro, Eduardo Cabrita "não tinha condições para estar no Governo" porque tem tido um desempenho "muito fraco".

Lembrando que foi aprovada uma lei, por iniciativa do BE, que corresponsabiliza os proprietários agrícolas que recorrem a trabalho forçado, Catarina Martins questionou quem é que foi condenado até agora por ter trabalhadores migrantes naquelas circunstâncias.

É inaceitável. As pessoas que trabalham em Portugal, seja qual for a cor da sua pele, seja qualquer for o seu passaporte, têm de ser tratadas com dignidade. E é por aqui que o problema começa", disse.

O caso de Odemira, acrescentou Catarina Martins, vinha sendo denunciado pelo BE há já muito tempo, designadamente em 2019, quando a coordenadora do partido visitou as estufas.

Eu estive nas estufas em 2019 e vi como toda a gente tinha medo de dar a cara, mas denunciámos, denunciámos quando o Governo disse que a solução era alojar as pessoas em contentores. Não pode ser. A economia portuguesa e agricultura portuguesa não podem viver do trabalho forçado de migrantes. Tem de viver, sim, de trabalho com dignidade e isso é o mais importante neste momento", defendeu.

O problema de Odemira, sublinhou, não foi criado pela pandemia, "sempre lá esteve".

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