Os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa anunciaram esta quinta-feira que Portugal e a NATO vão retirar as tropas alocadas para a Missão Resolute Support, que decorria no Afeganistão.

A retirada começa a efetivar-se a 1 de maio, depois de os primeiros militares portugueses terem chegado ao país em 2002. Desde então, o contingente luso já mobilizou para aquele país mais de 4.500 militares.

Com esta retirada, conclui-se um importante e prolongado contributo português na luta contra o terrorismo", refere o comunicado.

Durante o tempo em que as tropas da NATO estiveram no local "registaram-se no Afeganistão importantes progressos em termos de estabilidade e segurança, bem como em termos de desenvolvimento social, incluindo em particular os direitos de mulheres e o acesso à educação para as raparigas", realça o Governo.

Para a retirada, Portugal vai ajustar-se com os aliados, sendo que a Força de Reação Rápida vai manter-se na proteção do Aeroporto Internacional de Cabul até ao final de maio.

Portugal mantém o seu compromisso com os esforços da comunidade internacional no combate ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações, de que são exemplos os contributos nacionais do Médio Oriente ao Sahel, do Corno de África a Moçambique", vinca o comunicado.

O anúncio da NATO e de Portugal surge depois de também os Estados Unidos terem confirmado a retirada do país.

A NATO envolveu-se no Afeganistão em 2001, após os Aliados terem invocado, a 12 de setembro e pela primeira vez na história da Aliança, o artigo 5.º do tratado do Atlântico Norte – o princípio de defesa coletiva, que determina que um ataque contra um ou mais dos membros da NATO é considerado um ataque contra todos –, em seguimento dos ataques de 11 de setembro de 2001 perpetrados pela Al Qaeda nos Estados Unidos.

Em agosto de 2003, a Aliança assumiu o comando de uma missão militar intitulada Força Internacional de Assistência para Segurança (ISAF, na sigla em inglês), mandatada pela ONU.

Dirigida pela NATO até ao final de 2014, tornou-se na mais longa missão da história da Aliança e mobilizou, no seu pico, 130 mil militares no terreno.

Atualmente, encontram-se cerca de 9.600 soldados dos Aliados no Afeganistão, no âmbito da Missão Resolute Support – que substituiu, em 2015, a ISAF – e em que Portugal participa através do destacamento de 174 militares, segundo dados comunicados pela Aliança em fevereiro de 2021.

Desde o início da guerra no Afeganistão, estima-se que morreram cerca de 3.500 militares da NATO, dos quais 2.400 eram norte-americanos.

Luís Varela de Almeida