O líder do PSD considerou esta terça-feira «absolutamente infame e revoltante» que o seu partido tenha apenas 17 por cento de «tempo de antena» nos blocos informativos da RTP, acusando o Governo de exercer uma «influência permanente» na comunicação social.

«É absolutamente infame e revoltante, mas compreensível, com um primeiro-ministro e um ministro do sector que querem ter uma influência permanente sobre aquilo que é a comunicação em Portugal», disse Luís Filipe Menezes.

O líder do PSD falava aos jornalistas na aldeia da Estrela, concelho de Moura, onde acompanhava uma visita do grupo parlamentar social-democrata ao Alentejo, a municípios abrangidos pelo empreendimento de Alqueva.

O líder do PSD reagia a um relatório sobre pluralismo político-partidário que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) entregou segunda-feira na Assembleia da República.

PSD sub-representado nos noticiários

O relatório conclui que o PSD é sistematicamente sub-representado nos blocos informativos da RTP, enquanto que o PS é «apagado» como partido autónomo do Governo.

A presença do Governo e do Partido Socialista na RTP1 e RTP2 chegou aos 56,23 por cento, ultrapassando o valor de referência apontado pela ERC com base na representatividade eleitoral, que era de 50 por cento, é referido.

Já a presença do PSD, enquanto maior partido da oposição, ficou aquém do valor de referência dado pela ERC (27,67 por cento), apresentando-se com 17,78 por cento.

Em declarações aos jornalistas, Luís Filipe Menezes garantiu hoje que «os jornalistas sentem na pele e nos diferentes órgãos de comunicação» a «influência permanente» que o Governo quer ter no sector.

«Parafraseando o doutor Mário Soares, as televisões privadas são legitimamente viradas para os consumidores. A televisão pública é virada para a cidadania e para o cidadão», ironizou, salientando ser «absolutamente inaceitável o que está a acontecer».

E, nas contas da ERC, acrescentou o líder social-democrata, «ainda não estão contabilizados, por exemplo, os programas de grande informação» da RTP, como o que «acontece na segunda-feira à noite [Prós e Contras]».

«Aí, a discrepância é de 20 para um», sustentou, garantindo que o grupo parlamentar do PSD vai ter esta semana, na Assembleia da República, «um debate muito importante sobre a qualidade da democracia portuguesa».
Portugal Diário / JRS