O Presidente da República desvalorizou «alguma polémica estéril» gerada em torno da sua actuação em relação à morte de José Saramago, garantindo ter feito o que lhe competia como chefe de Estado.

Em declarações aos jornalistas na ilha de S. Miguel, onde termina quatro dias de férias, Cavaco Silva sublinhou que aquilo que o chefe de Estado deve fazer é «diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos».

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«O que um chefe de Estado deve fazer é diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos. Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago», declarou o Presidente da República.

Cavaco Silva referiu que na sua qualidade de chefe de Estado emitiu uma «uma nota oficial prestando homenagem à obra literária de José Saramago e ao seu contributo para a projecção da cultura portuguesa no Mundo», enviou uma coroa de flores e promulgou o decreto de declaração de dois dias de luto nacional.

«Hoje de manhã o meu chefe da Casa Civil e o meu chefe da Casa Militar apresentaram sentidas condolências aos familiares de José Saramago», acrescentou.

Interrogado sobre se os restos mortais do Nobel Português devem ir para o Panteão Nacional, disse tratar-se de uma matéria da competência da Assembleia da República.

Recordou ter sido o Parlamento que decidiu a recente trasladação para o Panteão dos restos mortais de Aquilino Ribeiro, o que aconteceu décadas depois da sua morte.

O Presidente da República justificou ainda a sua permanência de férias em S. Miguel, apesar da morte de Saramago, com a importância que para ele tem a palavra dada.

«Todos os portugueses sabem que desde quinta-feira à noite estou nos Açores, em S. Miguel, cumprindo uma promessa que fiz há muito tempo a toda a minha família, filhos e netos, de lhes mostrar as belezas desta região», declarou.
Redação / SM