Pedro Silva Pereira reagiu pelo PS às acusações do Presidente da República. O dirigente socialista considerou que as declarações de Cavaco «confirmam» que as alegadas escutas do Governo a Belém são uma «invenção». Silva Pereira afirmou ainda que a manipulação referida pelo Presidente foi apenas «liberdade de opinião política».

«O PS regista que o senhor Presidente da República não só não referiu, ao contrário do que alguns esperavam, nenhum facto susceptível de conferir o mínimo de razoabilidade a essa suspeição, como expressamente recordou que ele próprio nunca referiu sequer tais suspeitas», disse.

«Confirma-se portanto aquilo que desde o início o PS afirmou: essa suspeita nunca passou de uma invenção e constitui, objectivamente, uma grave manipulação da verdade com o objectivo de prejudicar o PS e o Governo. E essa foi a única manipulação que se registou neste caso lamentável. Lamentável para o prestígio e para a dignidade das intuições», referiu.

Sobre as acusações de manipulação, Silva Pereira, declarou: «O PS deseja esclarecer o seguinte: em primeiro lugar, os referidos deputados do PS limitaram-se a reagir e a interpretar politicamente uma notícia sobre a participação de membros da casa civil na elaboração desse programa do PSD, tal como foi publicada na comunicação social e divulgada no site do próprio PSD».

«Em segundo lugar, os deputados do PS como de qualquer outro partido são titulares de órgãos de soberania e são, por isso, totalmente livres e autónomos nas opiniões políticas que emitem e assumem por isso total responsabilidade».

O braço-direito de José Sócrates afirmou ainda que «o PS rejeita, portanto, qualquer interpretação que confunda a liberdade de opinião política com qualquer exercício de manipulação».

Sobre a proporção do caso, o PS diz também que «só há uma forma de lidar com este tipo de suspeições: é cortar o mal pela raiz». «Depois da declaração do senhor Presidente da República impõe-se, do ponto de vista do PS, recolocar a questão nos seus devidos termos, que são alias do conhecimento geral», acrescentou

«Essa suspeição, totalmente absurda e infundada, a ser levada a sério, seria, obviamente, como todos os portugueses compreenderão, de extrema gravidade e merecedora de esclarecimento cabal», disse.
Redação / CLC