O secretário-geral do PS, António José Seguro, defendeu esta quinta-feira que «é altura de o Governo ajudar rapidamente os agricultores que estão com a corda ao pescoço», devido à seca e exigiu ao Executivo antecipar ajudas e ouvir os agricultores.

Para Seguro, «há uma necessidade muito grande de fazer face a este momento de seca» e o Governo «em primeiro lugar» tem que antecipar o pagamento das ajudas diretas aos agricultores, há volta dos «600 milhões de euros».

«Estamos a falar de fundos comunitários», disse, citado pela Lusa, para acrescentar que «seria muito oportuno que os agricultores pudessem beneficiar dessas ajudas ou de parte delas». Além disso, que o Governo «tem que ouvir os agricultores» que se queixam de que «nem sequer são ouvidos».

«Como é que um Governo pode compreender as dificuldades dos agricultores se nem os ouve?», questionou, durante a visita a uma exploração agrícola no concelho de Beja e após se ter reunido com agricultores da região, no âmbito do «Roteiro em Defesa do Interior» que está a realizar.

O líder do PS referiu ainda é «altura de o Governo agir, tomar decisões, clarificar o que quer fazer no Alqueva», referindo que a posição do seu partido «é muito clara», ou seja, o Governo deve «completar» o projeto.

«O Alqueva está parado completamente desde que o Governo tomou posse» e os agricultores estão «aflitos e preocupados», porque «fizeram investimentos e, neste momento, há um atraso muito grande» nesse projeto, sobretudo na construção de infraestruturas de regadio.

Questionado sobre se o país tem condições para concluir o projeto Alqueva, respondeu: «Ficou lá o dinheiro no Proder (Programa de Desenvolvimento Rural)».

«Há mais de oito meses que este Governo está em funções e, portanto, tem que clarificar e esclarecer o que é quer fazer», mas «não pode é retirar dinheiro» do Proder que estava previsto para «ajudar a completar» o projeto.

«Aquilo que é necessário, neste momento, é aplicar esse dinheiro. Estamos a falar de fundos comunitários, mas, se por hipótese, não houvesse parte desse dinheiro, então essa explicação tem que ser dada aos agricultores», justificou, para acrescentar: «Não se pode é andar a dizer aos agricultores para investirem, muitos deles recorreram ao crédito e, neste momento, haver uma indefinição completa.»

«O que é preciso neste momento é que o Governo, em vez de estar com os braços caídos, diga aos agricultores o que é que pretende fazer e faça», insistiu, alertando que está previsto que a União Europeia deixe de financiar perímetros de regadio a partir de 2015. Assim, «temos até essa altura para poder aplicar e beneficiar dos fundos comunitários».