O deputado socialista António Serrano questionou esta terça-feira o Governo sobre a previsão para o recomeço dos transplantes hepáticos pediátricos nos Hospitais Universitários de Coimbra, depois de um bebé ter morrido à espera de um transplante.

A notícia faz manchete no jornal «Diário de Notícias» de hoje que revela que uma criança de dois anos de Braga morreu, em Espanha, à espera de um transplante hepático, cirurgia que Portugal deixou de fazer em Julho.

Na sequência da notícia, o deputado socialista e também coordenador dos deputados socialistas na Comissão de Saúde questionou o Governo sobre o regresso dos transplantes pediátricos aos Hospitais Universitários de Coimbra.

Em comunicado o PS refere que o coordenador dos deputados socialistas na Comissão de Saúde quer ainda que o ministro explique de que forma as restrições financeiras e as alterações orgânicas implementadas pelo Governo estão já a impedir a colheita de órgãos em Portugal.

Nas palavras de António Serrano «Portugal e Espanha eram países modelos de nível internacional em toda a actividade de colheita de órgãos» e «é fácil perder todo o conhecimento acumulado».

«Os Hospitais Universitários de Coimbra possuem conhecimento e competência para a realização deste tipo de intervenção, tendo realizado no passado quase 200 transplantes em crianças bem sucedidos. Não podemos aceitar que as nossas crianças sejam privadas do acesso a cuidados de saúde altamente diferenciados e que permitem salvar vidas», defendeu.

Em relação ao corte de 50 por cento previsto nos incentivos financeiros aos hospitais e equipas dedicados à colheita e transplante de órgãos, o deputado socialista considera inaceitável que esse corte «possa contribuir para a criação de um contexto de insegurança e propício à ocorrência de perda de vidas humanas».

Hoje, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, garantiu que o Governo tem intenção de activar o centro de transplantes pediátricos em Coimbra, instituição desactivada recentemente e a única que existia no país.