O ex-líder parlamentar do PS Francisco Assis e vários ex-ministros socialistas contestaram hoje a oportunidade de se colocar na agenda política a redução do número de deputados, advertindo que o tema pode alimentar fenómenos de populismo. Neste contexto, o ex-líder parlamentar do PS referiu-se ainda às notícias dos carros adquiridos pelos socialistas.

Estas posições foram transmitidas hoje na reunião da bancada socialista, no final da qual o presidente do Grupo Parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, considerou que a redução do número de deputados «não é prioritária», embora também avisando que «não é tema tabu», segundo informa a agência Lusa.

De acordo com vários deputados socialistas presentes na reunião, Francisco Assis procurou fazer uma intervenção apaziguadora face à atual direção do seu partido, em que salientou a «crescente degradação política do Governo», mas em que também se mostrou apreensivo com um eventual crescimento do «monstro» do populismo na atual conjuntura.

Numa alusão à ideia de se tentar agradar à opinião pública com base num projeto de redução do número de deputados na Assembleia da República, Assis disse que «ceder ao monstro» é o mesmo que «alimentar o monstro».

Neste contexto, o ex-líder parlamentar do PS referiu-se às notícias sobre a fatura paga pela bancada socialista no recente aluguer de quatro viaturas, para reforçar o seu ataque à corrente populista.

«Qualquer dia querem que o presidente do Grupo Parlamentar do PS ande de Clio quando se desloca em funções oficiais», comentou Assis, citado por um deputado socialista.

Já o ex-ministro Pedro Silva Pereira, segundo deputados socialistas contactados pela agência Lusa, defendeu que o PS não pode abandonar a narrativa sobre a complexidade das causas da crise nacional e internacional, centrando a sua alternativa numa vaga ideia de reforma das instituições.

O deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, um dos mais cerrados críticos da ideia de redução do número de deputados, considerou «um primarismo pensar-se que é nas instituições democráticas que se encontram os problemas».

«O problema que vivemos é o dos resultados da democracia. Os cidadãos têm dúvidas sobre a viabilidade da sua economia e da sua sociedade», declarou, citado por um dos seus colegas de bancada.

Sobre o tema da redução do número de deputados pronunciaram-se ainda de forma crítica ex-ministros como Ferro Rodrigues e Vieira da Silva, e Alberto Martins, membro do Secretariado Nacional do PS, considerou que o tema fundamental do presente se relaciona com o ataque feito ao atual «pacto social» do pós II Grande Guerra Mundial.

Deputados socialistas, sobretudo eleitos pelos círculos eleitorais menos populosos, defenderam que a questão da diminuição do número de deputados apenas se deverá colocar como causa última de uma reforma global do sistema político e nunca como princípio de qualquer processo de revisão.
Redação / CLC