A candidata presidencial Marisa Matias defendeu esta quarta-feira que os fundos comunitários e a defesa da democracia não podem ser postos em causa, reagindo ao bloqueio da Hungria e Polónia à aprovação do plano de relançamento da União Europeia.

As consequências poderão ser imensas, no sentido de que atrasa todos os pagamentos que estão previstos. Infelizmente creio que se tem andado a brincar um pouco na União Europeia com a questão do Estado de direito e da proteção dos direitos e da valorização da democracia”, referiu, em Vila Real, a candidata a Belém apoiada pelo Bloco de Esquerda (BE).

Instada a cometar o bloqueio da Hungria e Polónia à aprovação do orçamento plurianual e do fundo de recuperação da União Europeia, Marisa Matias disse que o que está a acontecer naqueles dois países é “apenas e infelizmente um exemplo da forma como não se tem respeitado o Estado de direito”.

Estamos a falar de governos populistas, com linhas políticas não só racistas e xenófobas, mas também linhas políticas que não têm um pingo de solidariedade em relação aos que mais precisam neste momento”, frisou.

E continuou: “o fundo de recuperação que está previsto é um fundo que não responde ele mesmo às necessidades que temos, nem em termos de montantes nem em termos da resposta que precisávamos porque estamos a falar de condicionalidades que estão a ser introduzidas e que não deviam ser introduzidas”.

A candidata salientou ainda o que considerou ser “uma chantagem por parte de dirigentes políticos que não preconizam um projeto democrático nem um projeto que protege toda a gente”.

Na sua opinião, o que “vai acontecer é tapar-se os olhos” porque se está a “viver um momento crítico”.

É responsabilidade de todos os governos que permitiram trocar a valorização da democracia e a defesa do Estado de direito por fundos a serem transferidos para os países. Esta equação nunca pode estar em cima da mesa, porque não podem ser postos em causa nem os fundos que necessitamos nem pode ser posta em causa a defesa da democracia, ao misturar é desvalorizar as duas coisas”, frisou.

Questionada também sobre um possível prolongamento do estado de emergência Maria Matias defendeu que se deve “sempre acompanhar aquilo que são as recomendações científicas e dos profissionais de saúde e perceber quais são as medidas que podem ajudar a responder à pandemia com maior proteção sanitária possível”.

Não devemos, contudo, usar o estado de emergência em nenhuma circunstância para ultrapassar linhas fundamentais de proteção de direitos e liberdades”, afirmou

A candidata presencial falava aos jornalistas à margem de uma reunião com a delegação de Vila Real da Associação Centro de Vida Independente (CVI), que apoia pessoas com necessidades especiais, e alertou que “algumas das populações mais vulneráveis não estão a ter uma resposta neste momento”.

Marisa Matias apontou projetos-piloto que estão a decorrer e que têm garantido apoio a 870 pessoas com deficiência e questionou o que vai acontecer quando esses projetos acabarem.

Quando eles acabarem o que é que acontece no dia a seguir. Essa é uma questão fundamental, de garantir a continuidade e de alargar ao maior número de pessoas possível, porque se a desigualdade já existe em circunstâncias normais, ela é particularmente agravada num contexto de pandemia”, afirmou.

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