A presidente da Comissão Europeia concentra esforços este fim de semana na Cimeira Social que decorre na cidade do Porto nos dias 7 e 8 de maio.

Numa rara cimeira presencial, e durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, Ursula von der Leyen concedeu uma entrevista à TVI.

O encontro acontece numa altura em que a União Europeia dá passos sólidos no combate à pandemia, parecendo ter ultrapassado os muitos problemas iniciais com o processo de vacinação.

Estamos a ver a luz ao fundo do túnel. Agora é preciso recuperar e reconstruir", disse a responsável.

Ursula von der Leyen pede desta forma que se juntem todas as forças com o intuito de se criarem bons empregos, com o objetivo de reconstruir uma Europa mais forte.

Precisamos dos sindicatos, precisamos dos patrões. Esse vai ser o espírito do Porto", explicou.

Concretamente sobre o processo de vacinação, que já teve 200 milhões de doses administradas no espaço comunitário, a responsável europeia olha particularmente para Portugal, que inoculou 25% da população.

Isto é muito bom, e a velocidade ainda vai acelerar", referiu.

Sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, já apresentado por Portugal, e que está em análise pela Comissão Europeia desde outubro, Ursula von der Leyen diz que está a ser feito um trabalho "árduo" para que a aprovação esteja concluída em junho.

No mesmo mês, e segundo a própria, poderá possível submeter o mesmo plano para aprovação do Conselho Europeu, que pode ratificar o documento ainda nesse período.

Este calendário vai de encontro ao que Portugal pretendia.

Questionada sobre quando estará aprovada a famosa "bazuca", a presidente da Comissão Europeia remete para as aprovações dos diferentes estados-membros, pedindo-lhes que os respetivos parlamentos acelerem o processo, para que os "fundos possam começar a fluir no verão".

A ratificação da bazuca europeia ainda está em falta em sete países. Portugal aguarda um cheque no valor de dois mil milhões de euros.

A Cimeira Social arranca esta sexta-feira no Porto com a presença praticamente certa de 24 dos 27 chefes de Estado e de Governo da União Europeia, reunidos para definir a agenda social da Europa para a próxima década.

A secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, disse à Lusa que, a até meio da tarde de quarta-feira, tinha indicação da participação presencial na Cimeira dos líderes de praticamente todos os Estados-membros da UE, à exceção da chanceler alemã, Angela Merkel, e do primeiro-ministro holandês, Mark Rute, que anularam a deslocação a Portugal devido à situação pandémica nos respetivos países, mas asseguraram a sua participação “em todos os momentos” por videoconferência.

Já posteriormente soube-se que, o primeiro-ministro de Malta, Robert Abela, informou que também não se desloca ao Porto porque está em quarentena, depois da sua mulher ter testado positivo para a covid-19.

Os presidentes do Parlamento Europeu, David Sassoli, do Conselho Europeu, Charles Michel, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assim como os vice-presidentes executivos da Comissão Margrethe Vestager e Valdis Dombrovskis, o Alto Representante Josep Borrell e os comissários Elisa Ferreira, Mariya Gabriel e Nicolas Schmit, estarão presentes.

No total, a presidência portuguesa do Conselho da UE espera mais de 100 participantes na Cimeira, que se desdobra numa conferência, na sexta-feira, na Alfândega do Porto, com líderes políticos e institucionais, parceiros sociais e sociedade civil, e num Conselho Europeu informal, no sábado, no Palácio de Cristal, no qual Portugal espera um compromisso político com a agenda social europeia.

Pedro Moreira