A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, destacou o “papel crucial” de Jorge Sampaio, que morreu esta sexta-feira, na promoção dos direitos humanos e dignidade dos refugiados, elogiando o “homem de princípios”.

Numa mensagem lida pelo porta-voz do executivo comunitário, Eric Mamer, na conferência de imprensa diária, Von der Leyen lembrou Sampaio como “um homem de princípios, e um defensor convicto dos direitos humanos”.

Enquanto Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, Sampaio desempenhou “um papel crucial na promoção dos direitos e da dignidade dos refugiados que chegam à Europa, e particularmente a Portugal, nomeadamente como resultado do conflito na Síria”, referiu ainda Von der Leyen.

A presidente da Comissão Europeia lembrou que Jorge Sampaio, ainda enquanto jovem advogado, “defendeu prisioneiros políticos durante a ditadura”.

Ursula Von der Leyen enviou as condolências à família e amigos do antigo Presidente da República, que teve “a honra de conhecer” na primeira visita oficial que fez a Portugal.

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu hoje aos 81 anos, no hospital de Santa Cruz, em Lisboa.

Antes do 25 de Abril de 1974, foi um dos protagonistas da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, tendo, como advogado, defendido presos políticos durante a ditadura.

Jorge Sampaio foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e, entre 2007 e 2013, foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Durante o seu segundo mandato, em 2003, organizou a primeira reunião do ‘Grupo de Arraiolos’, constituído por chefes de Estado da UE sem funções executivas.

Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens sem acesso à educação.

/ AG