O deputado socialista António Serrano defendeu esta terça-feira que o aumento das taxas moderadoras é uma medida «violentíssima» de «uma perspectiva de negócio» da Saúde, com os utentes a serem cada vez mais «forçados» a recorrer às urgências.

«Achamos que isto é uma proposta violentíssima no contexto actual, não concordamos com ela, achamos que a obrigação da troika não nos impunha um aumento desta dimensão», afirmou António Serrano aos jornalistas no Parlamento, citado pela agência Lusa.

A partir de Janeiro de 2012, as consultas nos centros de saúde passam de 2,25 euros para 5 euros, enquanto nas urgências hospitalares a taxa moderadora passa de 9,60 euros para 20 euros, disse o ministro da Saúde, Paulo Macedo, nesta segunda-feira no programa da RTP, «Prós e Contras».

«Quando nós restringimos o acesso aos cidadãos nos centros de saúde diminuindo horários e eliminando extensões de saúde, estamos a forçar uma ida das pessoas para as urgências onde o serviço é mais caro», argumentou António Serrano.

Para o deputado socialista, está em causa «querer financiar o Serviço Nacional de Saúde com taxas moderadoras que aumentam para mais do dobro», sendo que estas taxas representam actualmente um por cento do financiamento do SNS e com estes aumentos passarão a representar dois por cento, ao passo que constituem «um esforço grande» para os utentes.

«É um aumento que resulta de uma perspectiva de negócio da saúde que não podemos aceitar», declarou, argumentando que «é um erro de abordagem técnica», que «não resolve o financiamento».

«Acresce que o Estado se prepara para pedir à direcção-geral de contribuições e impostos para solicitar o pagamento coercivo das taxas não pagas», afirmou.