Portugal atingiu os 70% de população com a vacinação completa contra a covid-19, revelou esta quinta-feira a ministra da Saúde, numa entrevista à Sic Notícias. Marta Temido fez questão de realçar o facto da meta ter sido alcançada antes do prazo fixado pela task-force, que apontava para 5 a 12 de setembro. 

Recorde-se que a marca dos 70% de vacinados foi estabelecida pelo Governo para deixar cair o uso obrigatório de máscara na rua. Questionada sobre a possibilidade, a ministra diz que "ao ar livre, o distanciamento é barreira suficiente".

No entanto, só em setembro vai ser decidido se esta medida vai ou não avante. A decisão terá de passar pelo Conselho de Ministros, que só se realiza na próxima semana, no entanto, Marta Temido admite a realização de uma reunião extraordinária.

Amanhã vamos conhecer esses indicadores. Há uma reunião do Conselho de Ministros agendada para de hoje a uma semana, mas uma alteração de circunstâncias deste tipo pode motivar uma reunião extraordinária”, revela.

“A boa notícia que existe - e que é fruto do esforço dos portugueses - é que já foi possível atingir ontem [quarta-feira], segundo informação da nossa 'task force' que coordena o processo de vacinação contra a covid-19, a administração de duas doses de vacina ou de uma vacina no caso das vacinas de uma dose, ou seja, ter 70% de população residente em Portugal com vacinação completa à data de ontem [quarta-feira]”, afirmou visivelmente satisfeita.

Marta Temido destacou ainda que o objetivo foi atingido “algumas semanas antes do previsto, como já se indiciava pelo relatório de vacinação semanal da Direção-Geral da Saúde”, realçando que estão a ser vacinadas perto de 100 mil pessoas por dia.

Mas chegada a uma meta, a ministra estabeleceu já outra: “É um resultado muito importante e vale a pena referir que, quando a presidente da Comissão Europeia começou a falar dele em janeiro, encarávamo-lo numa forma longínqua no tempo e quase se chegaríamos ou não lá. O dia de hoje prova que conseguimos atingir este resultado e agora temos de continuar para o próximo passo, que é o objetivo dos 85%”.

Portugal vai esperar pelo regulador europeu para decidir sobre terceira dose

Portugal vai aguardar pela orientação da Agência Europeia do Medicamento (EMA) em relação à administração de uma eventual terceira dose de vacina contra a covid-19, disse ainda a ministra da Saúde.

“Vamos seguir aquilo que seja a aprovação da EMA [regulador europeu] para uma eventual terceira dose de vacina e a aprovação de uma terceira dose ainda não está nas orientações da EMA. O que alguns países referem é que, caso essa situação se verifique, avançarão nesse sentido. Nós aguardamos essa decisão”, afirmou.

A governante lembrou também que devem ser conhecidos os resultados de alguns estudos no final deste mês e que essas informações serão tidas em conta, bem como o “conhecimento de que os indivíduos não têm uma resposta imunitária igual” perante o vírus SARS-CoV-2.

Contudo, Marta Temido subscreveu também a posição que tem sido defendida pela Organização Mundial de Saúde no sentido de haver uma maior equidade na distribuição das vacinas pelos países mais ricos face a nações mais fragilizadas e com baixas taxas de vacinação.

“Não há dúvida nenhuma de que só conseguiremos vencer este problema em definitivo quando todos estivermos protegidos contra ele. Daí os esforços que temos tido enquanto país - no contexto dos PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa] e enquanto Estado-membro da União Europeia nas relações com mecanismos como o Covax - para distribuir vacinas a países mais frágeis. É essencial a ideia de que ninguém estará a salvo enquanto não estivermos todos a salvo”, asseverou.

Já sobre a atual situação epidemiológica em Portugal, Marta Temido fez questão de notar “alguma estabilidade” nos números de novos casos de infeção em relação ao que se verificou em junho ou julho, devido à generalização da variante Delta. “Estamos num planalto bastante elevado e isso é o aspeto que justifica que mantenhamos a precaução”, sintetizou.

A ministra da Saúde comentou ainda o incidente com algumas vacinas no centro de vacinação do Queimódromo, no Porto, em que se registou uma quebra na cadeia de frio, garantindo que o ministério e a ‘task force’ estão ainda à espera de respostas de diversas instituições.

“É uma resposta que a análise de farmacovigilância realizada pelos peritos do Infarmed irá dar a muito curto prazo e depende de vários elementos que foram pedidos em termos de informação”, sustentou, acrescentando: “Aquilo que se perguntou foi, por um lado, às companhias farmacêuticas qual era a análise que tinham, e, por outro, à Agência Europeia do Medicamento o que é que recomendava”.

Marta Temido não descartou o cenário de uma eventual readministração de vacinas em alguns dos utentes afetados por esta situação.

“As pessoas estão a ser seguidas para despistar alguma reação. Vamos avaliar qual é a condição de estabilidade daquele produto e aquilo que poderá acontecer, mas é uma hipótese remota, é que haja necessidade de revacinação de algumas pessoas. Apesar de as condições não terem sido as ideais, podem ainda estar dentro do patamar de segurança e é isso que queremos saber”, sentenciou.

Atingida esta meta dos 70%, é esperado também que os casamentos, batizados e eventos culturais possam passar a operar com 75% da lotação. Transportes públicos também deixam de ter qualquer limite de lotação e vários serviços públicos voltam a ter atendimento presencial sem necessidade de agendamento prévio.

Atualmente, mais de 6,7 milhões de pessoas (66%) residentes em Portugal completaram a vacinação contra a covid-19, revela o relatório semanal da Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o relatório de vacinação, publicado todas as terças-feiras, até domingo 6,76 milhões de pessoas (66%) concluíram a vacinação e 7,79 milhões (76%) tomaram pelo menos uma dose de vacina, números que colocam o país muito perto da primeira meta estabelecida pelo Governo.

Em declarações ao Público, Gouveia e Melo tinha admitido que, “em princípio”, a meta dos 70% de vacinados vai ser mesmo atingida "até ao final desta semana”.

João Guerreiro Rodrigues / PP (atualizado às 15:58)