A coordenadora do Bloco de Esquerda exigiu, nesta quarta-feira, ao Governo explicações urgentes sobre os moldes em que vai ser efetuada a venda de 75% do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star.

Catarina Martins falava aos jornalistas após ter sido recebida pelo primeiro-ministro, António Costa, em São Bento, sobre a data das eleições autárquicas, ocasião em que também foi questionada sobre o processo de venda do Novo Banco.

A coordenadora do Bloco de Esquerda reiterou a tese de que "é um erro" vender o Novo Banco, mas também colocou de parte, considerando-o "impensável", um cenário de liquidação da instituição financeira.

Catarina Martins disse que, neste momento, impõe-se que "o Governo explique ao país os termos do negócio que pretende fazer com o Novo Banco".

"Em matéria de sistema financeiro, é pública a existência de divergências" entre o Governo e o Bloco de Esquerda "e também é público que esta área não faz parte da declaração conjunta" assinada entre bloquistas e socialistas para a viabilização parlamentar do atual executivo.

Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, "continuar-se a limpar com dinheiro público bancos privados, para depois entregar de novo a privados”, sem nunca se ter “uma palavra a dizer sobre a forma como esses bancos são geridos e sobre o que acontece ao dinheiro público, isso é um grave erro".

Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que esse erro não seja repetido. Mas, agora, o mais importante é o país compreender quais os termos da venda acertados com o Governo e com a Comissão Europeia. É importante que se debata o essencial, ou seja, qual a proposta em cima da mesa, em vez de estarmos sempre a discutir aquilo que toda a gente já sabe constituir uma divergência", alegou a coordenadora bloquista.

Catarina Martins salientou que cabe ao Governo "revelar os números" e, como tal, "este é o momento de o país conhecer a proposta concreta, tendo em vista avaliá-la e permitir a discussão de cenários alternativos".

Confrontada com um cenário de liquidação do Novo Banco, caso a venda não seja possível, Catarina Martins respondeu que o Bloco de Esquerda "fará tudo para que esse cenário não se coloque".

Para o CDS-PP, o Governo deve divulgar os contornos do negócio, para que o partido se possa pronunciar.

"É fundamental neste processo que o Governo torne público o mais depressa possível aquilo que tem negociado, o que está acordado e aquilo que quer assinar. Assim que o Governo torne públicos os contornos do que combinou, o CDS tomará uma posição. Continuarmos desta forma - aquilo que temos são notícias e factos não confirmados -, contribui apenas para criar especulação. É o que temos tido. Não serve o acordo, o país, os contribuintes, ninguém a não ser os partidos que apoiam o Governo", afirmou a vice-presidente Cecília Meireles, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Já o PCP continua a defender a integração do Novo Banco na esfera pública, mas advertiu que recusa em absoluto um bloqueio da venda tendo como consequência a liquidação da instituição bancária.

Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas em São Bento, após ter sido recebido pelo primeiro-ministro, António Costa, numa reunião destinada a marcar a data das próximas eleições autárquicas.

Questionado se o PCP vai exigir que o processo de venda do Novo Banco chegue rapidamente ao parlamento, o líder comunista considerou que "o momento determinante e decisivo" na Assembleia da República aconteceu já a 2 de fevereiro passado.

De acordo com Jerónimo de Sousa, nesse dia, a bancada comunista apresentou uma resolução para impedir a venda do banco, iniciativa legislativa que "representava a oportunidade para a inversão do processo, mas que foi chumbada pelo PS, PSD e CDS-PP".

Agora, no atual momento, o PCP defende que um bloqueio da venda apenas deverá ser feito "se for para integrar o banco no setor público".

"O bloqueio pelo bloqueio significaria a falência do banco", acentuou Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP sustentou, ainda, que a presente situação é resultado "de responsabilidades do anterior Governo PSD/CDS, a par das pressões e intromissões da União Europeia".

No plano institucional, de acordo com Jerónimo de Sousa, o PCP "não exclui qualquer instrumento", tendo em vista acompanhar o processo. "Não sabemos qual o processo e a forma como o Governo vai tratar este caso no plano legislativo. O PCP não regateará nenhuma possibilidade em termos de instrumentos disponíveis."

O primeiro-ministro António Costa revelou que o Governo, que já se reuniu com os partidos políticos, tem a expectativa de concluir a venda do Novo Banco até ao final desta semana.

A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, admitiu segunda-feira a possibilidade de o Estado português manter 25% do capital do Novo Banco, mas apontou que então deverá assumir outros compromissos, escusando-se a especificar quais.