O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, considerou esta quarta-feira que o combate ao incêndio de Vila de Rei e de Mação foi "bem feito" e que ocorreu "uma articulação extremamente qualificada" dos meios no terreno.

Este foi um combate bem feito, num incêndio particularmente difícil, num incêndio que começou num conjunto de circunstâncias estranhas, cinco incêndios a começarem numa zona muito próxima à mesma hora, três deles adquiriram grande dimensão, o maior o de Vila de Rei, naturalmente, que teve uma evolução muito difícil, como já referi", disse o governante.

Segundo Eduardo Cabrita, "a orientação estratégica definida o ano passado, que já foi testada o ano passado com resultados encorajadores, desta vez teve resultados ainda mais positivos".

O ministro da Administração Interna falava hoje aos jornalistas, na Guarda, à margem da inauguração de um sistema de videovigilância para deteção de incêndios rurais no território da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE).

"E aquilo que funcionou aqui [no incêndio de Vila de Rei e de Mação] foi uma articulação extremamente qualificada, coordenada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, mas que envolveu" bombeiros voluntários "de Beja ao Porto", bombeiros profissionais, sapadores florestais, as Forças Armadas e estruturas de apoio (ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, AGIF - Agência para a Gestão Integrada dos Fogos Rurais, Segurança Social, INEM - Instituto Nacional de Emergência Médica e Cruz Vermelha), acrescentou.

O ministro observou que o incêndio que atingiu grandes proporções traduziu-se "no primeiro incêndio de grande dimensão deste ano sem qualquer vítima mortal".

E com um nível de danos que nos permitiu, por exemplo, comparando com o de Monchique, o ano passado, não ter sido necessário evacuações significativas, porque atempadamente foram feitas as intervenções de proteção de aglomerados", rematou.

Eduardo Cabrita referiu ainda que o Governo tem "toda a solidariedade com as pessoas que estão na área mais diretamente afetada por este ou por qualquer outro incêndio".

Vários incêndios deflagraram no distrito de Castelo Branco ao início da tarde de sábado. Dois com origem na Sertã e um em Vila de Rei assumiram maiores dimensões, tendo este último alastrado, ainda no sábado, ao concelho de Mação, distrito de Santarém, tendo sido dominado na terça-feira.

Aposta na videovigilância “fundamental” 

O ministro da Administração Interna considerou "fundamental" a aposta em instrumentos de videovigilância para "aumentar a capacidade de apoio à decisão" e o combate aos incêndios rurais.

Eduardo Cabrita inaugurou esta quarta-feira, na Guarda, um sistema de videovigilância para deteção de incêndios rurais no território da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE), denominado SARADO (Sistema de Acompanhamento Remoto e Apoio à Decisão Operacional).

O sistema consistiu na colocação de 17 torres com câmaras de vigilância com alcance de mais de 30 quilómetros, que cobrem a quase totalidade do território da Comunidade Intermunicipal e estão ligadas a centros de gestão e controlo, localizados na Guarda e em Castelo Branco.

O SARADO, que foi lançado em 2018 e que representou um investimento superior a 900 mil euros, foi apoiado por fundos da União Europeia, no âmbito de uma candidatura apresentada pela CIM-BSE, que tem sede na Guarda.

Segundo o presidente do Conselho Intermunicipal da CIM-BSE, Carlos Filipe Camelo, o SARADO "tem como objetivo dotar os agentes de proteção civil de mecanismos que possibilitem uma intervenção mais rápida na verificação de riscos de incêndio e um apoio à decisão mais eficiente no combate aos fogos rurais".

Instrumentos como este, instrumentos que permitem melhorar a vigilância, aumentar a capacidade de apoio à decisão, para que o combate, quando necessário, possa ser feito de imediato, reduzindo o risco, reduzindo a probabilidade de os incêndios ganharem grande dimensão, é fundamental", afirmou o ministro da Administração Interna na cerimónia de inauguração do SARADO, realizada no Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) da Guarda.

Na sua intervenção, Eduardo Cabrita referiu que modelos do mesmo tipo já estão a funcionar na Beira Baixa, no Médio Tejo, na Lezíria do Tejo e na região de Leiria.

Trabalhos semelhantes estão em fase adiantada de realização no Algarve, em Coimbra, em Viseu Dão-Lafões, no Tâmega e Sousa, no Alto Minho, na área metropolitana do Porto e na área metropolitana de Lisboa", apontou.

O governante disse ainda que as autarquias "são fundamentais" na parceria e que estão em causa cerca de 10 milhões de euros de investimento, apoiado por fundos europeus que o Estado "decidiu canalizar para esta prioridade" e que "permitirão ter mais segurança" a nível nacional.

A CIM-BSE, com sede na Guarda, é constituída por 15 municípios: 12 do distrito da Guarda (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Gouveia, Manteigas, Meda, Pinhel, Seia, Sabugal e Trancoso) e três do distrito de Castelo Branco (Belmonte, Covilhã e Fundão).