O secretário-geral do PCP lamentou hoje que as comemorações da proclamação da República tenham sido realizadas num «lugar escondido, com medo do povo e com medo do protesto».

Jerónimo de Sousa criticou a decisão de assinalar o 05 de Outubro no Pátio da Galé - e não na Praça do Município, em Lisboa -, o que deixou os políticos «fechados num pátio e de acesso reservado, longe do povo».

As cerimónias oficiais do 5 de Outubro ficaram marcadas pela entrada no Pátio da Galé de uma mulher a gritar contra a atual situação do país, tendo sido retirada por vários elementos da segurança.

Depois do discurso do Presidente da República, Cavaco Silva, a plateia foi igualmente surpreendida por uma mulher que, ao fundo do corredor central, começou a cantar o «Firmeza», de Fernando Lopes Graça, mas que, ao contrário da primeira manifestante, saiu pacificamente do recinto.

Na Marinha Grande, no final de um almoço convívio que juntou cerca de 700 pessoas, o líder do PCP chamou a atenção para o facto de em Lisboa, durante as cerimónias, «terem hasteado a bandeira ao contrário», sublinhando que «o problema maior é que o Governo, que conta com o apoio do Presidente da República, está a pôr o país de cabeça para baixo, de pernas para o ar».

Jerónimo de Sousa, «na terra de referência da luta operária», acusou o Governo de coligação PSD/CDS de querer levar «o país até ao fundo do precipício».

O país, defendeu, «não pode esperar por 2015, como diz o PS», acrescentando que esta é «uma ideia oportunista e eleitoralista» de um partido «que está sempre naquela posição em cima de um muro: nem não, nem sim, nem mais ou menos».

O secretário-geral do PCP garantiu que «a luta tem crescido e vai crescer mais, isolando o Governo», frisando que a greve geral marcada pela CGTP para 14 de novembro «vai ser um grande contributo».

O líder comunista afirmou ainda que o executivo liderado por Pedro Passos Coelho «é um autêntico moço de recados da União Europeia» e que «continua a enganar o país com a chantagem da bancarrota».

Contudo, salientou, «existem alternativas e soluções» que passam por um Governo patriótico e de esquerda» que «tem de romper com a subordinação externa», capaz de «afirmar a soberania social e rejeitar o federalismo europeu».
Redação / CLC