O deputado socialista Francisco Assis considerou hoje que o PS deverá abster-se face às moções de censura do PCP e Bloco de Esquerda, defendendo que os socialistas estão equidistantes da «direita neoliberal» e da «extrema-esquerda neomarxista».

Francisco Assis falava hoje à noite à entrada para a reunião da Comissão Política Nacional do PS, que definirá o sentido de voto do PS em relação às moções de censura ao Governo do PCP e Bloco de Esquerda, que estarão em discussão na quinta-feira de manhã na Assembleia da República.

«Entendo que o PS deve abster-se, porque o PS não tem qualquer razão para estar ao lado do Governo, já que tem profundas divergências em relação à forma como os problemas do país têm sido enfrentados, mas também não tem razão nenhuma para estar ao lado da extrema-esquerda radical, que tem uma perspetiva do país completamente diferente», sustentou o ex-líder parlamentar socialista.

Segundo Francisco Assis, na quinta-feira, na Assembleia da República, o PS deverá «afirmar» as suas diferenças face «à extrema-esquerda parlamentar».

«A abstenção significa que o PS nem está com a política do Governo, nem está com a extrema-esquerda. O PS está tão longe da agenda neoliberal do Governo, como está igualmente longe de uma agenda neomarxista de uma extrema-esquerda completamente desligada da realidade», declarou Francisco Assis.

Interrogado sobre se as medidas de austeridade que serão anunciadas quarta-feira pelo ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, não poderão alterar o sentido de voto do PS em relação às moções de censura do PCP e do Bloco de Esquerda, Francisco Assis afastou essa possibilidade.

«Aliás, as moções de censura do PCP e do Bloco de Esquerda foram apresentadas antes do conhecimento das novas medidas de austeridade. O PS entende que o Governo tem governado mal, de acordo com uma agenda ideológica errada e tem concorrido para que o país se confronto com dificuldades cada vez maiores, mas isso não significa qualquer coincidência de pontos de vista com a extrema-esquerda. Nunca houve nos últimos 30 anos e não há atualmente», insistiu o deputado socialista.
Redação / CLC