O secretario de Estado Adjunto e da Saúde, Leal da Costa, assegurou, esta quinta-feira, que não há nem haverá racionamento implícito na saúde, contestando assim as conclusões do Relatório da Primavera, que acusou de ser um «documento político e ideológico».

«Não concordamos. Não há racionamento implícito. São referidos uns casos anedóticos, em que poderão ter ocorrido circunstâncias que podem configurar essa situação, mas o Serviço Nacional de Saúde não é sujeito a racionamento dessa forma e seremos implacáveis na remoção do racionamento implícito», afirmou.

Leal da Costa minimizou as conclusões do relatório e, embora salvaguardando que merecerá a atenção do Governo, classificou-o como um documento político, com uma linha ideológica em que não se consegue destrinçar um retrato fidedigno.

«É um relatório político, que tem de ter uma leitura política. Tem a visão ideológica de quem o escreveu», afirmou aos jornalistas, à margem da apresentação pública do Relatório de Primavera 2012.

Quanto aos resultados do relatório que apontam para um aumento das dificuldades de acesso dos portugueses aos serviços públicos de saúde, o governante desmentiu. «O relatório não diz que o número de isentos aumentou e as consultas também. A ninguém foi negado atendimento urgente por incapacidade de pagar taxa moderadora e os aumentos das taxas moderadoras verificados, e sempre justificados, ficam compensados com a poupança nos medicamentos. Nunca houve medicamentos tão baratos como agora», afirmou.

Confrontado com o empobrecimento e o aumento de desemprego da classe média baixa, que tem baixos rendimentos, mas não o suficiente para ficar isenta, e deixa de conseguir pagar os serviços de saúde, Leal da Costa respondeu com ataques mais direcionados.

O secretário de Estado afirmou que quem diz que os portugueses têm menos acesso aos cuidados de saúde está a mentir, assim como mente quem diz que há racionamento implícito «por as pessoas não terem acesso a cuidados que lhes fazem mal ou sem eficácia comprovada».
Redação / MM