BE, Verdes e PCP saudaram hoje os «milhares de trabalhadores» que aderiram à greve geral, e a adesão «significativa» ao protesto, apesar de isso significar a perda de um dia de salário e das «pressões» para impedir a paralisação.

De acordo com a Lusa, os três partidos usaram o período de declarações políticas no início do plenário da Assembleia da República para falar da greve geral que hoje decorre, convocada pela CGTP.

O líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, afirmou que a adesão à greve de hoje «está ao nível das greves anteriores», apesar de haver «obstáculos muitíssimo maiores», apontando que mais de um milhão de trabalhadores estão desempregados e por isso não podem fazer greve, que para cada vez mais famílias é difícil descontar um dia no salário, que foram definidos «serviços mínimos abusivos» e que houve «uma pressão brutal, ilegal e criminosa dentro das empresas» para que os trabalhadores não aderissem ao protesto.

«Mesmo assim», os «níveis de adesão» foram «elevadíssimos» em diversos setores públicos e «também significativos» no privado, em especial na indústria, garantiu Bernardino Soares, acrescentando que tinha motivos a direita parlamentar para estar «um pouco nervosa» em relação a esta greve «de rejeição ao pacto de agressão [o acordo da assistência financeira internacional]».

Também Ana Drago, do Bloco de Esquerda, saudou «as centenas de milhares de trabalhadores que usam hoje a greve como ato político de contestação às políticas de direita», destacando o «sacrifício pessoal, para as suas famílias, que é abdicar de um dia de salário».

A deputada sublinhou ainda «o nervosismo» com que os partidos da direita, que apoiam o Governo, aceitam «um direito fundamental da democracia portuguesa».

«Não há lutas sociais fáceis, mas hoje começou uma. Os senhores não querem ouvir, mas o Governo devia ouvir quem cria riqueza neste país, quem luta pelo futuro do país», disse Ana Drago.

Também Heloísa Apolónia, dos Verdes, considerou que a adesão à greve foi «imensamente significativa», tendo em conta o sacrifício que significa para os trabalhadores e «o medo» que têm de perder o emprego.

Para Os Verdes, um «efeito útil» da greve é «demonstrar ao Governo que o país está chateado, mas mesmo muito chateado» com a «política maquiavélica» em curso.

No período de debate, PSD e CDS insistiram em que respeitam o direito à greve e que o protesto de hoje não correu bem para quem o convocou, citando declarações do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, em que este refere dificuldades na mobilização.

Os dois partidos rejeitaram ainda as acusações de que os trabalhadores têm medo de fazer greve, sublinhando que Portugal é um país livre que respeita os direitos dos cidadãos.

Para Adão Silva, do PSD, «o problema desta greve» é que foi convocada para Arménio Carlos «fazer prova de vida» e «correu mal», porque os portugueses têm «consciência» da situação do país.

Já João Almeida, do CDS, quis saudar «também» aqueles que decidiram trabalhar hoje e disse que um dia Portugal será verdadeiramente livre e aqueles que não querem fazer greve não serão impedidos de aceder ao local de trabalho por causa do bloqueio dos transportes e de piquetes de greve, como aconteceu hoje.

Quanto ao PS, Pedro Alves disse que o partido entende os motivos da greve, apontando o «desespero» dos trabalhadores por o Governo querer ser «mais austeros que os austeros».
Redação