A ex-deputada do PCP Odete Santos, que vai sair do Comité Central, subiu ao palco do XIX Congresso para defender as liberdades e a democracia, alertando contra a «tirania do dinheiro».

Intervindo no XIX Congresso do PCP, nesta sexta-feira, Odete Santos criticou a «tirania dos mercados», afirmando que, desde o anterior congresso, «em matéria de liberdades, o que avançou foi a liberdade de expressão do dinheiro e dos mercados financeiros».

Odete Santos, que interveio pela última vez como dirigente do Comité Central, apontou «injustiças» como a detenção de manifestantes que numa operação policial «que são privados de contatar com os seus advogados» e o desencadear de «uma crise na RTP pelo facto de alguém exterior» solicitar imagens não publicadas.

«O ministro, atenção que eu não disse doutor, Relvas, pode esclarecer o que se passou», disse.

Odete Santos defendeu a necessidade de «resistir contra toda a espécie de injustiças que o Governo teima levar por diante», entre as quais a preparação de uma lei que o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, «está a preparar sobre os murais políticos».

«Para que os nossos muros não falem na vergonha da destruição de um país independente e soberano. Um país de Abril que já conheceu dias de progresso e bem estar e que agora se vê empobrecido, rendido ao capitalismo mediante as políticas de uma santíssima trindade - a troika - com o beneplácito do merkelerizado Governo rendido às botas alemãs», acusou.

No final da sua intervenção, Odete Santos invocou o escritor Almeida Garret, dedicando uns «versos», que adaptou, ao primeiro-ministro.

«E eu pergunto aos economistas, políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?», declamou, suscitando os aplausos de pé por parte dos congressistas, que gritaram a palavra de ordem PCP/PCP.
Redação / CM