O Bloco de Esquerda apelou esta terça-feira ao PS para que rejeite a proposta de Orçamento do Estado e acusou o Governo de estar a radicalizar o ataque aos direitos sociais, adoptando o regime do trabalho gratuito.

Estas posições foram tomadas no final de uma reunião da Comissão Política do Bloco de Esquerda, tendo sido transmitidas aos jornalistas, em conferência de imprensa, pela eurodeputada Marisa Matias.

«Estamos na altura de uma clarificação no PS», declarou Marisa Marias, que considerou incompreensível que a direcção dos socialistas esteja a levar «tanto tempo» e a revelar «tantas hesitações e tantas dúvidas» no sentido de saber se «deve ou não rejeitar uma proposta de Orçamento que provoca uma recessão gravíssima».

«Fazemos um apelo muito concreto ao PS para que rejeite este Orçamento, porque tem a ver com políticas de máxima austeridade e de máxima recessão. O PS deve clarificar a sua posição e deve ficar ao lado dos trabalhadores com o voto contra este Orçamento», sustentou a eurodeputada do Bloco de Esquerda.

Em relação à proposta de Orçamento do Estado, Marisa Matias concluiu que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, «confirmou as suas prioridades, a recessão e o desemprego».

«Há uma radicalização das políticas do Governo para as áreas sociais e o Bloco de Esquerda recusa em absoluto a proposta de regime de trabalho gratuito. Esta medida é imposta aos trabalhadores, quer por via dos contratos individuais, quer por via das empresas individualmente, quer ainda por via de decisão unilateral do patronato», acusou a dirigente bloquista.

Para Marisa Matias, «esta medida é totalmente inaceitável, assim como o anúncio do Governo de que prepara o aumento do horário máximo de trabalho para 48 horas semanais».

«Se dúvidas houvesse que este Governo não está ao lado dos trabalhadores, também se demonstra que estas medidas nada têm a ver com combate ao défice ou à dívida. Essa é a maior mentira que tem sido vendida pelo Governo aos trabalhadores, já que não faz outra coisa que não seja empobrecê-los», acrescentou.

Marisa Matias considerou ainda «criminosa» a declaração do ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, segundo a qual o aumento do horário de trabalho representava uma lufada de ar fresco para a competitividade das empresas.

«Estamos a falar antes de um assalto aos trabalhadores», contrapôs a eurodeputada de Coimbra.
Redação / ACS