O secretário-geral do PCP considerou hoje que a moção de censura que apresentou foi chumbada, mas «quem saiu mais fraco» foi o Executivo, um «Governo do passado» que já «não tem legitimidade» nem «base de apoio social», noticia a Lusa.

Sublinhando que após um ano e meio de governação, marcada pela aplicação do acordo assinado com os credores internacionais, «todos os problemas do país estão a assumir uma dimensão ameaçadora e trágica para o país» e o recente anúncio de «novo colossal confisco» confirma «o falhanço total do Governo», Jerónimo de Sousa defendeu que a moção de censura que o PCP apresentou na quinta-feira passada no Parlamento se «justificou plenamente» e se «tornou imperiosa a necessidade de afirmar a urgência de pôr fim a este rumo de ruína» e de exigir «uma alternativa».

«A moção de censura do PCP foi chumbada, mas apesar disso quem saiu mais fraco foi o Governo e quem saiu mais forte foi a luta contra a sua política e a exigência da necessidade de uma alternativa», afirmou, durante a abertura das Jornadas Parlamentares do PCP, que decorrem em Beja até domingo.

«O que neste debate ficou claro é que este Governo é um Governo do passado, mas que quer sobreviver a todo o custo para consumar um programa brutal de austeridade que é de facto de usurpação dos direitos dos trabalhadores, das populações e dos recursos do país», acrescentou.

Para Jerónimo de Sousa, o Governo executa um programa, «em nome do capital», «numa espécie de fuga para a frente», e quer fazer do próximo Orçamento do Estado «uma arma de arremesso mortífera» para os portugueses com «o aumento brutal de impostos, o aumento brutal do IMI», os «cortes» nas áreas sociais, «o ataque» ao poder local e «o desmedido programa de privatizações».

«O atual Governo não tem legitimidade política nem base de apoio social para continuar a tomar decisões dessa envergadura», afirmou, sublinhando que Portugal vive um momento «em que se levanta e cresce a luta e o protesto» do povo contra o Governo, que está crescentemente isolado» e se comporta como um «poder acossado», como ficou patente nas cerimónias do 5 de Outubro.
Redação