O líder do CDS-PP afirmou este sábado que «não vale a pena» o partido estar «com excesso de protagonismo» na coligação governamental, porque «o Governo é um».

«O nosso partido, que é leal nos acordos, que sabe dar estabilidade ao país, que sabe que o Governo é um, vai podendo verificar como aquilo que dissemos em campanha se pode ir cumprindo passo a passo, sabendo que uma coligação é um compromisso e sabendo que não vale a pena estar com excesso de protagonismo porque as pessoas, quanto às medidas que vão sendo tomadas, têm a noção das reformas e da importância que elas significam», afirmou Paulo Portas, no encerramento do jantar de Natal do CDS, em Queluz.

«Nós estamos em coligação porque em nome do interesse nacional é essencial a estabilidade, é essencial mostrar lá fora que somos um país que não é apenas cumpridor como tem dirigentes políticos com sentido de responsabilidade, porque o momento de Portugal é dificílimo», declarou.

Portas destacou medidas que revelam a «identidade» dos democratas-cristãos, «na certeza que as decisões são tomadas por todos, portanto, o seu efeito e a sua importância são obviamente assumidas no contexto da coligação».

A actualização das pensões mínimas sociais e rurais, a manutenção do IVA para a agricultura, o novo modelo de avaliação de professores, a prescrição por princípio activo e o IVA das Instituições Particulares de Solidariedade Social foram algumas das medidas elencadas pelo líder do CDS.

Reconhecendo que «o Orçamento dá execução a um conjunto de medidas fiscais, muitas delas nem populares nem simpáticas», Portas desresponsabiliza o Executivo da esmagadora maioria dessas medidas.

«Noventa por cento das medidas fiscais que estão no Orçamento do Estado não são uma opção do Governo, são uma obrigação do Estado português que se comprometeu a tomar essas medidas em Abril deste ano, quando o Governo era outro, quando pediu dinheiro emprestado para poder pagar pensões e para poder pagar salários», argumentou.

Portas referiu-se ainda ao PS, sem nunca nomear o maior partido da oposição, mas criticando quem se comprometeu com um memorando vigente por 36 meses e que ao fim de seis meses está «a conjugar o verbo vacilar, hesitar, voltar atrás, parar».

«Falta-lhes temperança, perseverança, determinação e sobretudo vontade de conseguir», disse.

O líder do CDS-PP avisou quem na «oposição» quer usar a revisão do tratado europeu como «arma de arremesso» contra o Governo que o que está em causa é o país e «não uma facção».

« Aqueles que na oposição pensam que a revisão dos tratados europeus é uma boa arma de arremesso contra o Governo, enganam-se, porque o que está em causa é Portugal, não é uma facção», afirmou Paulo Portas.

«O Governo fará todo o esforço que é necessário para procurar uma posição nacional em relação à revisão do tratado e esse esforço implica consenso e compromisso», declarou.
Redação / CP