«O PSD vai votar contra o PEC», disse este sábado de manhã Paula Teixeira da Cruz, vice-presidente do partido. Da sede social-democrata, as palavras são duras: «Depois da deslealdade, veio a mentira».

Teixeira da Cruz acusou o Governo de mentir quanto à existência de um compromisso europeu sobre as novas medidas de austeridade.

Em conferência de imprensa, Paula Teixeira da Cruz declarou que o Governo «assumiu por escrito» com as instituições europeias as novas medidas de austeridade, «como se prova pelas cartas enviadas à Comissão Europeia e ao Banco Central e ainda, e sobretudo, pelo

comunicado conjunto emitido por estas duas instituições».

Esse comunicado «é bem claro e bem expresso ao referir que estas medidas serão monitorizadas pela Comissão Europeia, pelo Banco Central e pelo FMI».

E, apesar disso, o Governo «veio anunciar disponibilidade para negociar essas medidas, quando sabe que não o pode fazer por ter assumido o compromisso com as instituições europeias»-

«Depois da deslealdade, veio a mentira. Esta actuação confirma o embuste e falta de credibilidade», concluiu Paula Teixeira da Cruz, reiterando que «o PSD vai votar contra» o novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) e que não há «qualquer possibilidade de negociação» com o Governo.

Questionada se o PSD vai apresentar um documento que sujeite o PEC a votação, respondeu: «Há questões regimentais, devido aos agendamentos potestativos que estão já solicitados na Assembleia da República que podem inviabilizar isso. mas naturalmente, se a janela de oportunidade se abrir, não deixaremos de assumir as nossas responsabilidades».

«Depois de ter mergulhado o país na maior crise económica e social de que há memória, o Governo precipita-nos agora numa grave crise política».
Redação / JF